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BINHO DO QUILOMBO É LEMBRADO EM MATÉRIA NACIONAL, APÓS ASSASSINATO DE MARIELLE

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Do Opera Mundi

Não é só Marielle: conheça mais 24 casos de lideranças políticas mortas nos últimos quatro anos

Vereadora Marielle Franco, do PSOL do Rio de Janeiro, foi última vítima da violência que atinge líderes e militantes políticos no país; veja relaçãoFabio Gabriel Pacifico dos Santos, o “Binho dos Palmares”, líder quilombola na Bahia – 18.set.2017

O assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) na noite desta quarta-feira (14/03) acendeu o alerta para um fato alarmente: desde 2014, ao menos outros 24 líderes comunitários, ativistas e militantes políticos foram evidentemente executados em diferentes regiões do Brasil. O levantamento não inclui mortes suspeitas de lideranças nem trabalhadores que não tinham, pelo menos de forma evidente, papel político de liderança. Usando esses dois critérios adicionais, a lista chegaria a centenas de nomes.

O historiador Fernando Horta, doutorando na Universidade de Brasília, reuniu uma lista dessas vítimas. Opera Mundi conta um pouco da história destes militantes, executados por conta dos trabalhos que desenvolviam por suas comunidades.

Marielle Franco, vereadora no Rio de Janeiro pelo PSOL – 15.mar.2018

A socióloga, ativista dos movimentos feminista e negro, foi executada no centro da capital fluminense. Marielle, a quarta vereadora mais votada na cidade, atuava na comunidade da Maré, onde morava, e, na semana anterior a sua morte, denunciou a violência e os abusos policiais no bairro de Acari. Leia mais aqui.

Paulo Sérgio Almeida Nascimento, líder comunitário no Pará – 12.mar.2018

Nascimento era um dos líderes da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama). Segundo a Polícia Civil, ele foi alvejado por disparos do lado de fora de casa, na cidade de Barcarena. Nascimento era atuante nas denúncias contra a refinaria Hydro Alunorte, responsável pelo vazamento de dejetos tóxicos nas águas da região no começo do mês. Leia mais aqui.

George de Andrade Lima Rodrigues, líder comunitário em Recife – 23.fev.2018

Rodrigues foi encontrado com marcas de tiros e um arame enrolado no pescoço, após três dias de buscas. O corpo dele foi achado em um matagal às margens de uma estrada de terra. Ele havia sido sequestrado por quatro homens que se diziam policiais. Leia mais aqui.

Carlos Antônio dos Santos, o “Carlão”, líder comunitário no Mato Grosso – 07.fev.2018

Carlão era um dos líderes do Assentamento PDS Rio Jatobá, em Paranatinga, no Mato Grosso, e foi morto a tiros, por homens em uma motocicleta, em frente à prefeitura da cidade. Ele estava dentro de um automóvel com a filha e a esposa, que chegou a ser atingida de raspão. Carlão já havia feito várias denúncias à polícia de que estava sendo ameaçado. Leia mais aqui.

Leandro Altenir Ribeiro Ribas, líder comunitário em Porto Alegre – 28.jan.2018

Ribas era líder comunitário na Vila São Luís, ocupação da zona norte da capital gaúcha. Ele havia deixado de dormir em casa desde alguns dias antes por conta da guerra entre traficantes da região. No dia em que foi assassinado, voltou à vila para pegar roupas, mas acabou sendo morto. A polícia suspeita de que Ribas tenha sido executado pelos criminosos ao se apresentar como líder da comunidade e questionar as ações do grupo. Leia mais aqui.

Márcio Oliveira Matos, liderança do MST na Bahia – 24.jan.2018

Matos era um dos integrantes mais novos da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e morava no Assentamento Boa Sorte. Aos 33 anos, foi morto em casa, com três tiros, na frente de seu filho. Leia mais aqui.

Valdemir Resplandes, líder do MST no Pará – 9.jan.2018

Conhecido como ‘Muleta’, Resplandes foi executado na cidade de Anapu, no Pará. Ele conduzia uma moto e foi parado por dois homens. Um deles atirou pelas costas; já no chão, o ativista foi alvejado na cabeça. A missionária norte-americana Dorothy Stang foi assassinada na mesma cidade, em 2005. Leia mais aqui.

Jefferson Marcelo do Nascimento, líder comunitário no Rio – 04.jan.2018

Nascimento era líder comunitário em Madureira e foi encontrado com sinais de enforcamento um dia após desaparecer. Ele havia feito uma série de denúncias contra uma quadrilha de milicianos dias antes de ser executado. Leia mais qui.

Clodoaldo do Santos, líder sindical em Sergipe – 14.dez.2017

Santos era líder do Movimento SOS-Emprego de Sergipe e foi baleado na cabeça por dois homens que foram à sua casa com a desculpa de entregar um currículo. Após orientar os criminosos a entregarem o documento diretamente à empresa que construía uma termoelétrica na região, o dirigente foi alvejado. Leia mais aqui.

Jair Cleber dos Santos, líder de acampamento no Pará – 22.set.2017

Santos foi alvo de um ataque a tiros na companhia de outros quatro trabalhadores rurais. O acusado do assassinato é o gerente de uma fazenda ocupada por trabalhadores ligados à Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Pará). A polícia esteve no local momentos antes e os trabalhadores que estavam lá acusam-na de ter facilitado a fuga do gerente e de outros pistoleiros. Leia mais aqui.

Fabio Gabriel Pacifico dos Santos, o “Binho dos Palmares”, líder quilombola na Bahia – 18.set.2017

Binho, como era conhecido, era líder do quilombo Pitanga dos Palmares, na cidade de Simões Filho, Bahia. Ele havia acabado de deixar o filho na escola e seguia para o enterro de uma amiga quando foi abordado por homens em um carro. Um deles desceu do veículo e atirou várias vezes na direção do líder. Leia mais aqui.

José Raimundo da Mota de Souza Júnior, líder do Movimento dos Pequenos Agricultures (MPA) na Bahia – 13.jul.2017 

O quilombola Souza Júnior era defensor da agroecologia e educador popular. Momentos antes do crime, o líder camponês havia sido procurado por dois homens em casa. Ele foi baleado enquanto trabalhava na roça com o irmão e um sobrinho. Leia mais aqui.

Rosenildo Pereira de Almeida, o “Negão”, líder comunitário da ocupação na Fazenda Santa Lúcia, no Pará – 8.jul.2017 – O líder camponês, ligado ao MST, foi morto na cidade de Rio Marias, próxima à fazenda. Ele havia ido ao local para se esconder após reiteradas ameaças de morte. ele foi executado por dois motoqueiros com três tiros na cabeça. Leia mais aqui.

Eraldo Lima Costa e Silva, líder do MST no Recife – 20.jun.2017

Costa e Silva, de 57 anos, estava em casa, em uma ocupação na zona norte do Recife, quando homens armados o arrastaram para fora e o executaram às margens da BR-101, com quatro tiros. Leia mais aqui.

Valdenir Juventino Izidoro, o “Lobó”, líder camponês de Rondônia – 4.jun.2017

Lobó foi morto com um tiro a queima roupa em um acampamento em Rondominas, Rondônia. Ele liderava um grupo de sem-terra em ocupações na região. Leia mais aqui.

Luís César Santiago da Silva, o “Cabeça do Povo”, líder sindical do Ceará – 15.abr.2017

Silva tinha 39 anos quando foi executado em uma estrada no município de Brejo Santo (CE). Ele era membro do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem (Sintepav-CE) e com militância ativa nas obras do porto de Pecém. Leia mais aqui.

Waldomiro Costa Pereira, líder do MST no Pará – 20.mar.2017

Pereira, que era servidor público e atuante no MST, foi morto dentro do Hospital Geral de Parauapebas, no Pará. Cinco homens armados renderam seguranças e foram até a UTI, onde atiraram no ativista. Ele estava internado após ser atacado em seu sítio, em Eldorado dos Carajás. Leia mais aqui.

João Natalício Xukuru-Kariri, líder indígena em Alagoas – 11.out.2016

Liderança história dos povos indígenas do nordeste, Xukuru-Kariri foi morto a facadas na porta de casa, em uma aldeia indígena em Alagoas. O assassinato ocorreu de madrugada, quando o camponês se preparava para ir trabalhar na roça. Leia mais aqui.

Almir Silva dos Santos, líder comunitário no Maranhão – 8.jul.2016

Santos era líder comunitário da Vila Funil, em São Luiz, e foi executado dentro de casa com tiros na cabeça e nas costas, na frente da mulher, da filha e de vizinhos. O acusado de ter cometido o assassinato teria afirmado, segundo a polícia que matou Santos por não concordar com a construção de uma ponte na comunidade – que atrapalharia o tráfico de drogas ao dar aos policiais acesso fácil ao local. Leia mais aqui.

José Bernardo da Silva, líder do MST em Pernambuco – 26.abr.2016

Silva, de 48 anos, era líder do MST em Pernambuco e estava caminhando com a esposa e uma filha às margens da BR-336 quando uma caminhonete se aproximou. Um dos ocupantes do veículo desceu do carro e atirou contra a vítima. Mulher e filha se esconderam e não ficaram feridas. Leia mais aqui.

José Conceição Pereira, líder comunitário no Maranhão – 14.abr.2016

Pereira tinha 58 anos quando foi morto com um tiro na nuca dentro de casa na capital maranhense. Nada foi levado da casa do líder comunitário, o que reforçou a hipótese de execução. Leia mais aqui.

Edmilson Alves da Silva, líder comunitário em Alagoas – 22.fev.2016

Presidente do asssentamento Irmã Daniela, Silva foi morto a tiros dentro do local. Ele era líder do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), o líder comandava ocupações e denunciava crimes ambientais e desmandos supostamente praticados por fazendeiros do litoral norte do Estado. Leia mais aqui.

Nilce de Souza Magalhães, a “Nicinha”, líder comunitária e membro do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) em Rondônia – 7.jan.2016

Nicinha era pescadora e participou de diversas audiências para denunciar a situação de seus vizinhos e danos ambientais. Ela desapareceu em 7 de janeiro e foi assassinada a tiros. Leia mais aqui.

Simeão Vilhalva Cristiano Navarro, líder indígena do Mato Grosso – 1.ago. 2015

O assassinato de Navarro aconteceu durante uma reocupação de terras indígenas por parte dos Guarani-Kaiowá. Uma comitiva de fazendeiros se dirigiu à região e atacaram os indígenas. O ativista foi atingido com um tiro na cabeça quando estava às margens de um córrego procurando pelo filho. Leia mais aqui.

Paulo Sérgio Santos, líder quilombola na Bahia – 6.jul. 2014

Santos era líder quilombola e foi assassinado dentro do acampamento Nelson Mandela, em Helvécia (BA). Ele foi surpreendido por homens armados que chegaram em um carro e desceram atirando. Leia mais aqui.

P U B L I C I D A D E

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Em carta aberta, professora responde a ministra Damares e a coloca em seu devido lugar

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Senhora Ministra,

Ontem eu também fiz brincadeiras em decorrência do seu polêmico vídeo. Brincadeiras e deboches também são formas de resistência. Sua postura e suas falas, entretanto, exigem uma análise séria e demandam respostas.

Há tempo observo seus vídeos que circulam na Internet e, como professora, sinto-me profundamente ofendida e humilhada. Venho percebendo seu empenho em colocar a sociedade contra a educação brasileira e seu magistério.

Para ilustrar o que afirmo, além dos links de dois vídeos que seguem abaixo deste texto, vou citar algumas das suas afirmações que me têm deixado triste e profundamente revoltada.

Sobre o famoso “Kit Gay”, Senhora Ministra, que jamais existiu e a senhora sabe disso, tratava-se na verdade, do “Projeto escola sem homofobia”, que seria voltado para os professores, não para os alunos. Nesse projeto, sequer havia o livro “Aparelho sexual e Cia”, que a senhora cita.

Esse projeto foi vetado pelo governo federal em 2011, devido ao fato de ter sido alvo de críticas dos setores conservadores, dos quais a senhora faz parte.

Aproveito para alertar que muitas das escolas brasileiras sequer possuem bibliotecas, e a minha é uma delas. O que temos, no momento, é uma Kombi doada pela comunidade escolar e transformada em biblioteca através de um projeto meu.

Frequentemente, a senhora usa suas falas, nos púlpitos das suas igrejas, para denegrir o trabalho dos professores e para nos colocar como responsáveis pelos problemas de uma geração, inclusive nos atacando como agentes de “perversão” e “doutrinação”.

Em um dos seus vídeos, a senhora menciona um material que supostamente faria apologia ao sexo com animais.

Senhora Ministra, talvez a senhora não conheça muito bem a regulamentação do exercício do magistério. Nós, professores, somos fiscalizados pelos nossos superiores: coordenação, direção e secretarias de educação.

Os materiais que utilizamos, os livros escolhidos, e até mesmo as nossas provas, são analisadas e aprovadas pelas instâncias superiores antes que cheguem aos os alunos.

Nesses vídeos, a senhora também se refere a um “suposto projeto” de 2004 e com tom irônico a senhora fala: “Não posso falar o nome da prefeita, não posso falar que ela é do PT, e também não posso falar que foi esposa do Suplicy, mas juntamente com o grupo GTPOS, ela gastou mais de dois milhões de reais num programa”. Programa esse, ao qual a senhora afirma ter sido atribuída a função de promover, nas creches, o incentivo a ereção e masturbação de bebês de sete meses.

Com essa sua fala, a senhora coloca os pedagogos e pedagogas que trabalham com a educação infantil na condição de criminosos, e mais do que isso, na condição de doentes pervertidos.

Meus colegas pedagogos, senhora ministra, que tão atenciosamente cuidam das nossas crianças e, neste momento, abro um parêntese para lembrar a heróica professora Helley Abreu Batista que morreu, com 90% do corpo queimado, após retirar seus alunos de um salão em chamas e de lutar contra o vigilante que ateou fogo à creche, em Janaúba, norte de Minas Gerais, em 2017.

Meus colegas pedagogos, senhora ministra, jamais cometeriam esse crime, nem mesmo sob tortura.

A senhora, nos seus ataques, sempre focou a educação e o magistério brasileiro, esse foco não é inocente, é estratégico.

Desmoralizar, humilhar, deslegitimar e demonizar os professores, colocar a sociedade contra nós e contra a educação, só nos enfraquece ainda mais. Como se já não bastassem nossos baixos salários, a falta de condições estruturais, a ausência e a falta de incentivo a bons cursos de formação continuada.

Como se já não bastasse o desrespeito e a violência com que somos tratados em nossos atos de protesto, paralização e greve, enquanto políticos protegidos e aquartelados debocham das humilhações das quais somos vítimas.

Ao nos enfraquecer, a senhora enfraquece a educação e isso lhe é extremamente útil e providencial. Um povo sem acesso à educação de qualidade é muito mais fácil de “doutrinar”, de transformar em “ovelhas”, em “inocentes úteis” e nós sabemos muito bem onde verdadeiramente vem ocorrendo a “doutrinação” no Brasil e sob que circunstâncias e métodos.

Vou falar brevemente, Senhora Ministra, sobre o que fazem os professores para muito além das suas atribuições.

Somos nós que, na maioria das vezes, descobrimos quando um aluno possui deficiência visual, porque na sala de aula temos parâmetros de comparação. O aluno está sentado na mesma distância do quadro em que estão seus colegas, mas franze a testa, comprime os olhos.

Somos nós que chamamos os pais e alertamos.

Muitas vezes, Senhora Ministra, somos nós que percebemos um problema mais grave. Nossos olhos treinados e experientes conseguem detectar o aluno ou aluna que se isola, nega-se a realizar trabalho em grupo, não participa do recreio, tende a ficar no mesmo lugar e realizar movimentos repetitivos com o corpo.

Somos nós que alertamos os pais depois da avaliação médica, enquanto a família vive o luto de um diagnóstico de autismo, por exemplo, nós professores seguimos trabalhando métodos e estratégias para incluir esse aluno da melhor forma possível.

Somos nós, Senhora Ministra, que muitas vezes percebemos a automutilação em alguns alunos e ela não se deve ao nosso trabalho de “doutrinação” como a senhora tenta afirmar, ao dizer que confundimos nossas crianças com a “ideologia de gênero”.

Os adolescentes que chegaram até mim com automutilação, viviam um cotidiano familiar desestruturado.

Desestruturado no seio da “família tradicional” que a senhora tanto defende.

O que a senhora propaga e demoniza como sendo “ideologia de gênero”, na realidade do chão da sala de aula, Senhora Ministra, é a exigência do respeito, é o cuidado para com todos os alunos, é a luta contra o bullyng que pode destruir emocionalmente um aluno e até levá-lo ao suicídio, é a educação contra a cultura do estupro e do machismo.

Nós enfrentamos salas de aulas superlotadas, lidamos com as particularidades de cada aluno e incentivamos o respeito para com todos, sem o qual não seria possível ministrar uma aula.

Somos nós, Senhora Ministra, que percebemos pela postura corporal, pelo silêncio, pelo olhar triste de quem suplica por socorro, quando uma criança ou adolescente é vítima de violência sexual, violência essa normalmente sofrida no seio da “família tradicional”.

Somos nós, Senhora Ministra, que conversamos com essa criança, que ouvimos o relato do seu sofrimento, que tomamos as providências, que chamamos o conselho tutelar, e somos nós que acompanharemos essa criança ou adolescente com atenção e cuidado redobrados.

Finalmente, Senhora Ministra, são inúmeras as nossas atribuições, as quais nos entregamos com amor e seriedade, respeito para com nosso diploma, para com nosso juramento e para com a instrução conquistada através da disciplina, do estudo e da leitura que, certamente, não foi adquirida no espaço do whatsapp.

Somos nós, professores, que olhamos, cuidamos, educamos, instruímos e ensinamos as crianças e jovens deste país.

Somos nós que protegemos essas crianças e jovens quando a família falha e quando o Estado falha.

Esta minha carta aberta tem dois objetivos: pedir-lhe mais respeito para com a classe do magistério.

Venho, também, oferecer-lhe um conselho: desça dos seus delírios fakes, Senhora Ministra, pise no chão e encare a realidade.

Porte-se com a seriedade que a importância do seu cargo exige. Deixe assuntos fúteis como cor de roupa adequada para seus colóquios no púlpito da igreja.

No exercício da sua atual função como ministra, olhe para o magistério brasileiro com olhos da verdade. Olhe pelos quase seis milhões de crianças sem o nome do pai nos seu registro. Encare a quinta maior taxa de feminicídio no mundo e que vem aumentando assustadoramente, alimentada pela cultura do machismo e da violência.

Olhe para os milhões de mulheres que, longe da família tradicional, criam seus filhos sozinhas e com dignidade. Olhe para as crianças e jovens que estão nas ruas, Senhora Ministra.

Lembre-se que essas crianças não se perdem na rua, foram perdidas dentro de casa, no seio das famílias tradicionais ou não e negligenciadas pelo Estado, as ruas apenas as adotam.

Olhe para os LGBTs e às violências que têm sido vítimas. O Brasil é o país quem mais mata LGBTs no mundo e temos visto esse número aumentar, incentivado pela cultura da intolerância.

A senhora deve estar se perguntando: “Quem é essa professorinha petulante que me escreve essa carta aberta?”

Vou facilitar para a senhora, vou me apresentar.

Sou Marcia Friggi, poeta e professora de Língua Portuguesa e Literatura do Estado de Santa Catarina. Exerço meu cargo após ter sido aprovada em concurso público, submetida a rigorosos exames médicos periciais, além de ter passado pelos três anos de estágio probatório.

Sou aquela professora que foi violentamente agredida por um aluno em 2017, caso que teve repercussão nacional e internacional.

Sou a professora que, após violência física, sofreu linchamento virtual por parte dos que comungam das suas ideias.

A professora que teve sua imagem com o rosto ensanguentado, usada sem autorização, pelos mesmos que me atacaram virtualmente, para promover a campanha política eleitoral do seu candidato.

Naquele período, visitei o inferno e sobrevivi. Sobrevivi à depressão, à fobia social, a crises de ansiedade, à insônia e à vontade de morrer. A tudo isso, talvez se deva a minha ausência de medo. Eu não tenho medo porque sou uma sobrevivente, porque na minha casa não há uma agulha sequer que não tenha sido comprada com o suor do trabalho honesto.

Não tenho medo porque não ocupo e nunca ocupei cargo comissionado. Não tenho medo porque nunca dependi de favores políticos. Não tenho medo porque pelas minhas mãos jamais passou dinheiro público.

Finalmente, Senhora Ministra, não tenho medo porque se ao seu lado está o governo atual e suas “ovelhas”, do meu está o mundo. Do meu lado está um mundo inteiro que não aceita mais retrocesso. Um mundo que deseja respeito para com todas as pessoas. Um mundo que não aceita mais discriminação, intolerância, preconceito, machismo, homofobia, xenofobia. Um mundo que deseja que uma mulher possa terminar um relacionamento sem ser agredida ou morta.

Um mundo que respeita a vida e a natureza. Um mundo que se pretende mais humano, justo e igualitário.

Não tenho medo, Senhora Ministra, porque minha militância pelas causas que considero justas sempre foram exercidas nas ruas e no espaço virtual, nunca na sala de aula.

Não tenho medo, Senhora Ministra, porque sou adepta da paz e minha única arma é a palavra e é dela que venho me utilizando como um instrumento de amor à vida, à liberdade, à arte e à resistência.

Já participei de algumas coletâneas como escritora, minha última participação foi no “Mulherio das Letras”, o que muito me honra.

Neste ano de 2019, lançarei meu primeiro livro de poesia, no qual estão muitos dos meus poemas de cunho social e resistência. Está também, entre meus projetos mais importantes, o livro sobre “denúncia dos flagelos que sofre o magistério brasileiro”, o qual percebo de suma importância, considerando os constantes ataques e humilhações a que somos submetidos.

Ainda nos veremos, Senhora Ministra, nas batalhas pacíficas da vida, das quais eu jamais fugi.

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Em adeus ao ex-deputado Galdino Leite, Angelo Coronel lamenta morte do ex-senador Gerson Camatta

senador e presidente da alba disse que dia foi de “tristeza, na bahia e no brasil”.

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Em adeus ao ex-deputado Galdino Leite, Angelo Coronel lamenta morte do ex-senador Gerson Camatta

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia – ALBA, Senador Angelo Coronel, participou hoje (26.12) no Jardim da Saudade, em Salvador, da cerimônia de adeus ao ex-deputado estadual Galdino Leite, morto aos 76 anos. Ao deixar o cemitério, Coronel foi também informado do assassinato do ex-senador Gerson Camata.

“Galdino foi meu companheiro deputado em várias legislaturas na ALBA, um homem de ação e cumpridor da palavra empenhada. A Bahia fica um pouco menor sem Galdino. Também recebi a triste notícia da morte do ex-senador e ex-governador Gerson Camata, uma das figuras de destaque da política do Espírito Santo e com participação ativa no processo de redemocratização do Brasil. Ele foi o primeiro governador capixaba eleito pelo voto popular, logo após a ditadura militar. Hoje, portanto, é um dia duplamente triste, com a perda de Galdino e a morte de Camata”, lamentou Coronel.

Angelo Coronel decretou luto oficial de três dias na Assembleia pelo passamento do deputado estadual Galdino Leite, enviando também um abraço de solidariedade, neste momento de profunda dor, para a família e os amigos de Galdino. Angelo Coronel disse também lamentar a morte brutal de Camata. “Meu abraço de pêsames à esposa dele, a ex-deputada Rita Camata, e aos filhos. O Brasil perdeu mais um homem do diálogo e da tolerância”, declarou Coronel.

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MINISTRO MARCO AURÉLIO MANDA SOLTAR PRESOS APÓS CONDENAÇÃO EM 2ª INSTÂNCIA, INCLUSIVE LULA

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LULA ESTÁ LIVRE BABACA

O ministrodo Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello determinou nesta terça-feira (18) a soltura de todos os presos que estão detidos em razão de condenações após a segunda instância da Justiça.

“Defiro a liminar para, reconhecendo a harmonia, com a Constituição Federal, do artigo 283 do Código de Processo Penal, determinar a suspensão de execução de pena cuja decisão a encerrá-la ainda não haja transitado em julgado, bem assim a libertação daqueles que tenham sido presos, ante exame de apelação, reservando-se o recolhimento aos casos verdadeiramente enquadráveis no artigo 312 do mencionado diploma processual”, diz o ministro na decisão.

A decisão liminar (provisória) de Marco Aurélio Mello atendeu ao pedido do PCdoB e atinge vários nomes como empresários como Gerson Almada, da Engevix, o ex-senador Gim Argello e os ex-tesoureiros do PT Delúbio Soares e João Vaccari Neto. Luiz Inácio Lula da Silva, que tem recursos pendentes nos tribunais superiores.

O ministro se disse convencido da constitucionalidade do artigo 283 do Código de Processo Penal, cuja discussão foi pautada para o dia 10 de abril de 2019 pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli.

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Moro idealiza condenação de Lula desde 2005, revela Onyx Lorenzoni

Atual colega de Moro no governo Bolsonaro, ele diz que brechas para condenação sem provas eram ideia do ex-juiz. “Foram a diferença para ter chegado no Lula”

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Moro idealiza condenação de Lula desde 2005, revela Onyx Lorenzoni

Atual colega de Moro no governo Bolsonaro, ele diz que brechas para condenação sem provas eram ideia do ex-juiz. “Foram a diferença para ter chegado no Lula”

A troca de elogios e ‘perdões’ entre Sergio Moro e Onyx Lorenzoni não é só de conveniência de políticos. Quanto mais perto da posse, fica cada dia mais claro que ambos são mesmo aliados em nome de um objetivo comum: exterminar a esquerda no país.

Exemplo disso é uma revelação que o deputado federal fez sobre o passado dos dois em entrevista recente à GloboNews.

Onyx conta que o colega de ministério idealizou dois instrumentos que possibilitaram a prisão política de Lula em 2005, mais de dez anos antes da Lava Jato iniciar a caçada ao ex-presidente.

“Os 2 fatores – a lavagem de dinheiro como crime principal, e a revisão da lei de delação premiada – foram a diferença entre no ‘mensalão’ não ter chego [sic] no Lula, e no ‘petrolão’ ter chegado no Lula”, disse ao jornalista Roberto D’Ávila.

À época, o futuro chefe da Casa Civil de Bolsonaro atuava como sub-relator das Normas de Combate à Corrupçãoda CPI dos Correios, e convidou Moro para atuar no projeto.

Orgulhoso da amizade antiga, ele diz que foram sugestões de Moro duas mudanças que levaram à condenação de Lula anos mais tarde: a formalização da delação premiada e a transformação do crime de lavagem de dinheiro de crime acessório para crime principal, com pena máxima de até 12 anos.

Ele mesmo explica o motivo: “[O crime principal] permite essas condenações volumosas em anos e os ajustes depois”, referindo-se aos acordos de delação premiada – que, como se vê hoje, são levados a sério mesmo sem qualquer prova.

Os trâmites começaram em 2006, a partir de um projeto da deputada Serys Shlessarenko – ex-filiada ao PT – que virou lei no ano de 2013.

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BOLSONARO VAI LEILOAR APARTMENTOS MCMV COM PARCELAS ATRASADAS?

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Os proprietários de apartamentos do programa Minha Casa Minha Vida – política pública de moradia criado no governo de Lula do Partido dos Trabalhadores (PT), poderão ser surpreendidos pelas investidas do novo presidente eleito, Jair Bolsonaro.

Não é novidade que o mesmo faz inúmeras críticas aos programas sociais como: Bolsa Família, MCMV, FIES dentre outros.

No início da semana, Bolsonaro declarou que irá promover uma auditoria nos Programas Sociais criados pelo PT para, segundo ele, promover uma MORALIZAÇÃO e reduzir despesas com esses programas.

As declarações do presidente eleito acenderam uma luz vermelha em muitos proprietários que estão com parcelas de apartamentos atrasadas junto à Caixa Econômica Federal, a qual já tem um novo presidente escolhido por Bolsonaro e que deverá seguir à risca, suas ordens.

É provável que o novo governo busque mudanças nas regras do Programa MCMV, que possam, além de reajustar parcelas, permitir que apartamentos sejam leiloados, caso os proprietários não estejam com as parcelas atualizadas.

É bom ficar atento!

 

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Irmã de Ayrton Senna é cotada para assumir o Ministério da Educação

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Irmã de Ayrton Senna é cotada para assumir o Ministério da Educação

Cotada para assumir o Ministério da Educação no governo de Bolsonaro (PSL), Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, se reuniu nesta quarta-feira (14) em Brasília com o futuro ministro Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Viviane é irmã de Ayrton Senna, piloto tricampeão mundial de Fórmula 1.

Em nota, o Instituto Ayrton Senna afirmou “que foi convidado pela equipe do governo eleito para apresentar um diagnóstico e caminhos de melhoria da educação brasileira”.

Também participaram da reunião a deputada federal eleita Joice Hasselmann (PSL-SP) e membros do Movimento Todos pela Educação.

O deputado federal eleito Alexandre Frota (PSL-SP), que também está na briga para ser o ministro da Educação, não foi convidado para a conversa.

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