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BINHO DO QUILOMBO É LEMBRADO EM MATÉRIA NACIONAL, APÓS ASSASSINATO DE MARIELLE

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56 anos de emancipação

Do Opera Mundi

Não é só Marielle: conheça mais 24 casos de lideranças políticas mortas nos últimos quatro anos

Vereadora Marielle Franco, do PSOL do Rio de Janeiro, foi última vítima da violência que atinge líderes e militantes políticos no país; veja relaçãoFabio Gabriel Pacifico dos Santos, o “Binho dos Palmares”, líder quilombola na Bahia – 18.set.2017

O assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) na noite desta quarta-feira (14/03) acendeu o alerta para um fato alarmente: desde 2014, ao menos outros 24 líderes comunitários, ativistas e militantes políticos foram evidentemente executados em diferentes regiões do Brasil. O levantamento não inclui mortes suspeitas de lideranças nem trabalhadores que não tinham, pelo menos de forma evidente, papel político de liderança. Usando esses dois critérios adicionais, a lista chegaria a centenas de nomes.

O historiador Fernando Horta, doutorando na Universidade de Brasília, reuniu uma lista dessas vítimas. Opera Mundi conta um pouco da história destes militantes, executados por conta dos trabalhos que desenvolviam por suas comunidades.

Marielle Franco, vereadora no Rio de Janeiro pelo PSOL – 15.mar.2018

A socióloga, ativista dos movimentos feminista e negro, foi executada no centro da capital fluminense. Marielle, a quarta vereadora mais votada na cidade, atuava na comunidade da Maré, onde morava, e, na semana anterior a sua morte, denunciou a violência e os abusos policiais no bairro de Acari. Leia mais aqui.

Paulo Sérgio Almeida Nascimento, líder comunitário no Pará – 12.mar.2018

Nascimento era um dos líderes da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama). Segundo a Polícia Civil, ele foi alvejado por disparos do lado de fora de casa, na cidade de Barcarena. Nascimento era atuante nas denúncias contra a refinaria Hydro Alunorte, responsável pelo vazamento de dejetos tóxicos nas águas da região no começo do mês. Leia mais aqui.

George de Andrade Lima Rodrigues, líder comunitário em Recife – 23.fev.2018

Rodrigues foi encontrado com marcas de tiros e um arame enrolado no pescoço, após três dias de buscas. O corpo dele foi achado em um matagal às margens de uma estrada de terra. Ele havia sido sequestrado por quatro homens que se diziam policiais. Leia mais aqui.

Carlos Antônio dos Santos, o “Carlão”, líder comunitário no Mato Grosso – 07.fev.2018

Carlão era um dos líderes do Assentamento PDS Rio Jatobá, em Paranatinga, no Mato Grosso, e foi morto a tiros, por homens em uma motocicleta, em frente à prefeitura da cidade. Ele estava dentro de um automóvel com a filha e a esposa, que chegou a ser atingida de raspão. Carlão já havia feito várias denúncias à polícia de que estava sendo ameaçado. Leia mais aqui.

Leandro Altenir Ribeiro Ribas, líder comunitário em Porto Alegre – 28.jan.2018

Ribas era líder comunitário na Vila São Luís, ocupação da zona norte da capital gaúcha. Ele havia deixado de dormir em casa desde alguns dias antes por conta da guerra entre traficantes da região. No dia em que foi assassinado, voltou à vila para pegar roupas, mas acabou sendo morto. A polícia suspeita de que Ribas tenha sido executado pelos criminosos ao se apresentar como líder da comunidade e questionar as ações do grupo. Leia mais aqui.

Márcio Oliveira Matos, liderança do MST na Bahia – 24.jan.2018

Matos era um dos integrantes mais novos da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e morava no Assentamento Boa Sorte. Aos 33 anos, foi morto em casa, com três tiros, na frente de seu filho. Leia mais aqui.

Valdemir Resplandes, líder do MST no Pará – 9.jan.2018

Conhecido como ‘Muleta’, Resplandes foi executado na cidade de Anapu, no Pará. Ele conduzia uma moto e foi parado por dois homens. Um deles atirou pelas costas; já no chão, o ativista foi alvejado na cabeça. A missionária norte-americana Dorothy Stang foi assassinada na mesma cidade, em 2005. Leia mais aqui.

Jefferson Marcelo do Nascimento, líder comunitário no Rio – 04.jan.2018

Nascimento era líder comunitário em Madureira e foi encontrado com sinais de enforcamento um dia após desaparecer. Ele havia feito uma série de denúncias contra uma quadrilha de milicianos dias antes de ser executado. Leia mais qui.

Clodoaldo do Santos, líder sindical em Sergipe – 14.dez.2017

Santos era líder do Movimento SOS-Emprego de Sergipe e foi baleado na cabeça por dois homens que foram à sua casa com a desculpa de entregar um currículo. Após orientar os criminosos a entregarem o documento diretamente à empresa que construía uma termoelétrica na região, o dirigente foi alvejado. Leia mais aqui.

Jair Cleber dos Santos, líder de acampamento no Pará – 22.set.2017

Santos foi alvo de um ataque a tiros na companhia de outros quatro trabalhadores rurais. O acusado do assassinato é o gerente de uma fazenda ocupada por trabalhadores ligados à Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Pará). A polícia esteve no local momentos antes e os trabalhadores que estavam lá acusam-na de ter facilitado a fuga do gerente e de outros pistoleiros. Leia mais aqui.

Fabio Gabriel Pacifico dos Santos, o “Binho dos Palmares”, líder quilombola na Bahia – 18.set.2017

Binho, como era conhecido, era líder do quilombo Pitanga dos Palmares, na cidade de Simões Filho, Bahia. Ele havia acabado de deixar o filho na escola e seguia para o enterro de uma amiga quando foi abordado por homens em um carro. Um deles desceu do veículo e atirou várias vezes na direção do líder. Leia mais aqui.

José Raimundo da Mota de Souza Júnior, líder do Movimento dos Pequenos Agricultures (MPA) na Bahia – 13.jul.2017 

O quilombola Souza Júnior era defensor da agroecologia e educador popular. Momentos antes do crime, o líder camponês havia sido procurado por dois homens em casa. Ele foi baleado enquanto trabalhava na roça com o irmão e um sobrinho. Leia mais aqui.

Rosenildo Pereira de Almeida, o “Negão”, líder comunitário da ocupação na Fazenda Santa Lúcia, no Pará – 8.jul.2017 – O líder camponês, ligado ao MST, foi morto na cidade de Rio Marias, próxima à fazenda. Ele havia ido ao local para se esconder após reiteradas ameaças de morte. ele foi executado por dois motoqueiros com três tiros na cabeça. Leia mais aqui.

Eraldo Lima Costa e Silva, líder do MST no Recife – 20.jun.2017

Costa e Silva, de 57 anos, estava em casa, em uma ocupação na zona norte do Recife, quando homens armados o arrastaram para fora e o executaram às margens da BR-101, com quatro tiros. Leia mais aqui.

Valdenir Juventino Izidoro, o “Lobó”, líder camponês de Rondônia – 4.jun.2017

Lobó foi morto com um tiro a queima roupa em um acampamento em Rondominas, Rondônia. Ele liderava um grupo de sem-terra em ocupações na região. Leia mais aqui.

Luís César Santiago da Silva, o “Cabeça do Povo”, líder sindical do Ceará – 15.abr.2017

Silva tinha 39 anos quando foi executado em uma estrada no município de Brejo Santo (CE). Ele era membro do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem (Sintepav-CE) e com militância ativa nas obras do porto de Pecém. Leia mais aqui.

Waldomiro Costa Pereira, líder do MST no Pará – 20.mar.2017

Pereira, que era servidor público e atuante no MST, foi morto dentro do Hospital Geral de Parauapebas, no Pará. Cinco homens armados renderam seguranças e foram até a UTI, onde atiraram no ativista. Ele estava internado após ser atacado em seu sítio, em Eldorado dos Carajás. Leia mais aqui.

João Natalício Xukuru-Kariri, líder indígena em Alagoas – 11.out.2016

Liderança história dos povos indígenas do nordeste, Xukuru-Kariri foi morto a facadas na porta de casa, em uma aldeia indígena em Alagoas. O assassinato ocorreu de madrugada, quando o camponês se preparava para ir trabalhar na roça. Leia mais aqui.

Almir Silva dos Santos, líder comunitário no Maranhão – 8.jul.2016

Santos era líder comunitário da Vila Funil, em São Luiz, e foi executado dentro de casa com tiros na cabeça e nas costas, na frente da mulher, da filha e de vizinhos. O acusado de ter cometido o assassinato teria afirmado, segundo a polícia que matou Santos por não concordar com a construção de uma ponte na comunidade – que atrapalharia o tráfico de drogas ao dar aos policiais acesso fácil ao local. Leia mais aqui.

José Bernardo da Silva, líder do MST em Pernambuco – 26.abr.2016

Silva, de 48 anos, era líder do MST em Pernambuco e estava caminhando com a esposa e uma filha às margens da BR-336 quando uma caminhonete se aproximou. Um dos ocupantes do veículo desceu do carro e atirou contra a vítima. Mulher e filha se esconderam e não ficaram feridas. Leia mais aqui.

José Conceição Pereira, líder comunitário no Maranhão – 14.abr.2016

Pereira tinha 58 anos quando foi morto com um tiro na nuca dentro de casa na capital maranhense. Nada foi levado da casa do líder comunitário, o que reforçou a hipótese de execução. Leia mais aqui.

Edmilson Alves da Silva, líder comunitário em Alagoas – 22.fev.2016

Presidente do asssentamento Irmã Daniela, Silva foi morto a tiros dentro do local. Ele era líder do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), o líder comandava ocupações e denunciava crimes ambientais e desmandos supostamente praticados por fazendeiros do litoral norte do Estado. Leia mais aqui.

Nilce de Souza Magalhães, a “Nicinha”, líder comunitária e membro do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) em Rondônia – 7.jan.2016

Nicinha era pescadora e participou de diversas audiências para denunciar a situação de seus vizinhos e danos ambientais. Ela desapareceu em 7 de janeiro e foi assassinada a tiros. Leia mais aqui.

Simeão Vilhalva Cristiano Navarro, líder indígena do Mato Grosso – 1.ago. 2015

O assassinato de Navarro aconteceu durante uma reocupação de terras indígenas por parte dos Guarani-Kaiowá. Uma comitiva de fazendeiros se dirigiu à região e atacaram os indígenas. O ativista foi atingido com um tiro na cabeça quando estava às margens de um córrego procurando pelo filho. Leia mais aqui.

Paulo Sérgio Santos, líder quilombola na Bahia – 6.jul. 2014

Santos era líder quilombola e foi assassinado dentro do acampamento Nelson Mandela, em Helvécia (BA). Ele foi surpreendido por homens armados que chegaram em um carro e desceram atirando. Leia mais aqui.

Jornalista DRT/MTB nº 4584/BA - Atualmente é editor dos sites Tudo é política e Página Simões Filho. Tem formação em contabilidade e experiência como Instrutor profissional nas áreas de designer gráfico e programação para web.

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Eleições 2018: para a mídia, o que não pode na Venezuela, pode no Brasil. Por Suzana Miotti

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PIG
56 anos de emancipação

POR SUZANA MIOTTI No DCM – Um paiseco da América do Sul, seguindo a sua Constituição, resolveu realizar eleições neste ano de 2018 para presidente.

O atual governante, cujo partido está no poder há aproximadamente três décadas, em conjunto com os poderes Legislativo e Judiciário, após seguirem um processo jurídico, que especialistas internacionais alegam estar sendo tendencioso, decidiram deixar os principais opositores na cadeia.

Impediu-os de participar do pleito e colocou o pleito sob suspeição pelas principais potências ocidentais. 

Sanções econômicas ajudarão a aumentar a agonia desse povo, que já sofre com o aumento dos custos básicos de vida como, por exemplo, gás, gasolina e alimentos. 

Não, não é a Venezuela. É o Brasil do MDB, de Temer e da Globo.

Todos os argumentos citados acima são utilizados para descrever o regime bolivariano.

Maduro foi reeleito através do voto popular, livre, secreto e pessoal.  

O MDB, por sua vez, ocupa o cargo de presidente ou vice-presidente da República desde a redemocratização, no final da década de 1980.

E, para continuar no poder em 2019, articula com antigos aliados como PSDB, DEM, PP, entre outros. E, também com ministros do STF. 

Desse modo, conseguiram trancafiar o principal líder oposicionista do país, Lula.

Sim, ele sofreu um processo que respeitou os trâmites legais que, estranhamente, foi mais célere do que em outros casos, como o do ex-governador mineiro Eduardo Azeredo.

Mas por acaso o Judiciário venezuelano não respeitou os seus trâmites legais ao prender liederanças da oposição?

Muitos podem contestar as prisões venezuelanas chamando-as de abusivas — mas e as prisões cautelares de mais de dois anos do juiz Sergio Moro, não o são?

Em resumo, é impressionante como os argumentos utilizados pela mídia para criticar o modus operandi de Maduro e companhia servem para o Brasil.

Afinal de contas, o que não pode lá, pode cá?

Porque, ironicamente, respeitando as especificidades de cada país, a situação do Brasil e da Venezuela são parecidas. A começar pelo cerceamento político de seus opositores.

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Camisa da Seleção virou sinônimo da vigarice e é por isso que encalhou

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Caminsa da Seleção Brasileira encalhada - simões filho
56 anos de emancipação

Por Joaquim de Carvalho no DCM – Tem um meme que circula na internet que mostra uma menina chorando, vestindo a camisa da Seleção Brasileira, que diz: “Essa eu não quero, é a camisa do pato”.

O uniforme da Seleção Brasileira encalhou, porque virou símbolo de algo muito ruim: um movimento que destruiu a economia brasileira e tirou do poder uma presidente sem crime de responsabilidade.

Símbolo de um movimento que não foi pelo bem do Brasil, mas por vingança, o terceiro turno das eleições de 2014.

No Carnaval, a Acadêmicos do Tuiuti colocou na Sapucaí passistas com o uniforme da Seleção, montados na alegoria de um pato da Fiesp e guiados por uma mão grande.

Manifestoches da Tuiuti carnaval 2018 - simões filho

Além de golpista, a camisa da CBF virou então sinônimo de tolo, manipulado – o manifestoche, na definição do carnavalesco Jack Vasconcelos.

E manchou com a cor da vergonha a Seleção Brasileira, sem exagero o retrato mais fiel do que este país é, um país de negros, mestiços.

Se faltam oportunidades na sociedade em geral, no futebol lá estão eles, depois de vencerem muitos obstáculos.

Meritocracia de verdade. O enganador, branco ou preto, não dura. É preto no branco.

Talvez seja esta a razão de a Seleção Brasileira ter sido tão prestigiada: fazia todos se se sentirem representados.

Mas não está empolgando mais.

Manifestações na PaulistaNa semana passada, o baterista do Ira André Jung se manifestou no Facebook:

“A um mês da Copa e nada de verde e amarelo … sinto que o movimento paneleiro, hoje morto de vergonha, é o grande responsável pelo fracasso nas vendas de camisas, bandeiras, faixas e outros símbolos pátrios. A camisa da seleção virou uniforme de pato.”

Neste fim de semana, durante a Virada Cultural, João Gordo, do Ratos do Porão, foi mais direto:

“Tá chegando a copa e eu não vejo NINGUÉM com a camisa do Brasil. Pq essa camisa virou sinônimo de filho da puta, de golpista”.

Sinônimo do que foi o maior engodo da história recente no Brasil.

Uma camiseta que nos faz lembrar da foto que viralizou às vésperas do impeachment: o casal rico com os filhos no carrinho caminhando para a manifestação, todos de verde e amarelo, exceto a babá, negra, de uniforme branco. Um país que querem só pra eles, não para ela.

Como esquecer?

Entre outras muitas coisas, o golpe tirou do Brasil a alegria de torcer pela Seleção.

Ainda vamos torcer, pode apostar, quando o brasileiro entrar em campo e mostrar ao mundo o talento no futebol.

Mas torceremos sem a alegria de antes.

A camisa amarela, o escudo da CBF, sempre nos fará lembrar de que o Brasil se tornou um país onde o maior líder popular foi preso — sem provas de que é corrupto —  e os corruptos comprovados estão soltos.

Um país usurpado.

Um país indefensável.

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Prender Lula, um plano antigo, revela o jornalista Marcelo Rubens Paiva

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Simões Filho - Marcelo Rubens Paiva
56 anos de emancipação

“Há anos Moro já dizia que prenderia Lula”, diz Marcelo Rubens Paiva

TV 247 O jornalista e escritor Marcelo Rubens Paiva, que acaba de lançar o livro “O orangotango marxista”, contou em entrevista à TV 247 nesta semana que teve a ideia de analisar os humanos do ponto de vista de um animal de tanto observar um zoológico em Americana, interior paulista, onde “não tem nada para fazer”. No livro bem-humorado, um orangotango aprende a ler em um laboratório onde é objeto de pesquisa e depois que é preso em um zoológico, lembra dos ensinamentos dos pensadores e quer fazer uma revolução para libertar os bichos, inspirado em Karl Marx.

Marcelo Rubens Paiva viveu em seu núcleo familiar as atrocidades da ditadura militar. Seu pai, o deputado Rubens Paiva, foi morto por agentes do regime, após ter sido torturado. Em 1971, seus restos mortais foram jogados ao mar.

Ele considera que a exaltação hoje aos tempos sombrios da farda, representado por figuras como Jair Bolsonaro, é reflexo de alguns erros, inclusive da esquerda. “Faltou levar às escolas um ensino que mostre de fato como foi a ditadura militar. Os jovens de hoje não têm nenhuma noção do que foi o regime, nenhum governo abriu os documentos secretos da ditadura”, critica.

Recentemente, documentos da CIA revelaram que Ernesto Geisel, penúltimo presidente da ditadura, de 1974 a 1979, teria concordado expressamente com execuções sumárias de opositores do regime militar. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) confirmou em 2014, após três anos de trabalhos, 434 mortes e desaparecimentos durante a ditadura militar no país.

O jornalista enfatiza a importância do documento, considerado por ele estarrecedor. “De fato, havia uma cadeia de comando para executar pessoas. É um documento importantíssimo”, ressalta, destacando também a importância do trabalho do pesquisador Matias Spektor, da FGV, responsável pela divulgação do fato histórico.

Ele desqualifica as mentiras usadas pelo Exército para justificar um golpe militar. “Foi uma ameaça comunista que deflagrou o golpe militar de 1964. Onde existe comunismo no Brasil? Nem o PCdoB é comunista. Uma balela dessas apenas engana quem desconhece a história”, argumenta.

Apesar do fascismo em alta no País, Marcelo não crê na possibilidade de um novo golpe militar. “Acredito que o centro irá formar um grande bloco para enfrentar o Bolsonaro, pode até ser encabeçado pelo Ciro Gomes”, projeta.

O jornalista enumera outros pontos negativos para o deputado de extrema direita. “Bolsonaro tem apenas 13 segundos de TV, o que pesa muito, além disso, ele tem força apenas nas redes sociais, e a internet é um fenômeno ainda não expandido no País”, avalia.

Prender Lula: um plano antigo

Ao comentar o cenário político do Brasil, o escritor contou ter ouvido do jornalista Sérgio D´Ávila, diretor executivo da Folha de S.Paulo, um relato feito por Moro a ele, D´Ávila. “O D´Ávila foi uma das primeiras pessoas que me contou que o Moro está à caça do Lula há muito tempo. O Moro já foi entrevistado pelo Sérgio D´Ávila há muito tempo e falou que o objetivo dele era pegar – palavras do Moro – o ‘chefe da gangue’, que era o Lula”.

Isso D´Ávila ouviu de Moro, reafirmou Marcelo, que não tem certeza da data do episódio, mas acredita ter sido no início da Lava Jato, por volta de 2014. “Eu nunca me esqueci disso”, comentou o jornalista. “E o Moro conseguiu, o cara foi fundo. E todo os depoimentos foram voltados para isso, as torturas psicológicas, coloca o Palocci quase numa solitária, aquele cara da Petrobras, o Paulo Roberto Costa, num presídio”, lembra.

Para Marcelo, “tudo poderá acontecer nestas eleições insanas”. “Lula anunciou que irá ser candidato, o PT não vai abrir mão disso, e nem deve, e ele hoje encontra-se em primeiro lugar nas pesquisas. Imagina um segundo turno com o ex-presidente encarcerado”, analisa, destacando que será uma situação inédita no Brasil.

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