Conecte conosco

Brasil

Brasil abre mercado para trigo russo, pondo fim à ‘luta’ requisitória de 9 anos

Publicado

em

56 anos de emancipação

Um dos poucos pomos de discórdia nas relações russo-brasileiras, a questão das exportações do trigo finalmente ficou resolvida há poucos dias. A Sputnik Brasil recebeu a esperada notícia em uma entrevista exclusiva com o Adido Agrícola da Embaixada do Brasil em Moscou, Cósam de Carvalho Coutinho.

Recentemente, a questão de abertura do mercado brasileiro para o trigo russo que tem se arrastado por muito tempo entrou de novo em cena. Porém até hoje não houve qualquer informação oficial sobre a autorização final dada pelo lado brasileiro, e foi sobre essas expectativas que nós conversamos com o diplomata brasileiro.

Avanço sem precedentes

Entretanto, na conversa com a Sputnik Brasil, o senhor Coutinho informou que o ponto final finalmente foi colocado, e a partir de agora as peripécias burocráticas terminam e são as empresas privadas que entram no jogo. A história, de fato, foi bastante longa, relembrou o adido.

“Tem uma história, na verdade. Isso começou a ser discutido em final de 2008 e início de 2009 e culminou em dezembro de 2009 com a publicação da Instrução Normativa n.º 39, de 03.12.2009. O que é Instrução Normativa? É um ato regulador onde, no caso específico do trigo, se estabelece quais são aqueles requisitos de natureza fitossanitária para a entrada, ou seja, a admissão do trigo de qualquer origem, ou de qualquer produto vegetal ou animal, para a Rússia”, explicou.

Porém, na época, relembrou o senhor Coutinho, esses requisitos estabelecidos no documento eram muito difíceis de ser atendidos segundo a ótica do lado russo. Desde então, os dois lados começaram a negociar. Durante muitos anos, dava em nada, os órgãos não conseguiam acordar as suas exigências, até alguns dias atrás.

“E culminou toda essa etapa, de 2009 até agora, na semana passada, exatamente em 18 de abril, [quando] foi publicado um ato normativo, que é a Instrução Normativa n.º 15 [o respectivo documento está à disposição da Sputnik Brasil]. E essa Instrução n.º 15 altera o que a Rússia solicitou que fosse alterado e que a Rússia disse que dessa forma podia cumprir. Então, em outras palavras, quer dizer o seguinte: desde o dia 18 de abril de 2018, tão logo foi publicada essa Instrução Normativa n.º 15, a Rússia já pode exportar trigo para o Brasil”, comunicou o diplomata.

Segundo precisou o alto representante, agora é somente uma questão comercial entre os exportadores russos e os importadores brasileiros. Porém, a embaixada já está recebendo informações de que “está havendo tratativas das duas partes”.

O adido fez questão de sublinhar que, com esse passo, a parte brasileira mostrou disponibilidade em cooperar, satisfazendo os pedidos de seus parceiros russos.

“Quero deixar isso bem claro, [foi atendido] aquilo que foi solicitado, nesse caso, pelo Rosselkhoznadzor [Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária]. Estou falando de aspectos de natureza fitossanitária, que eram o único impedimento. Até então, o lado russo achava que era muito restritivo o que o Brasil estava exigindo, e aí se levou negociações durante esse período todo, e agora a Rússia já pode exportar o trigo”, detalhou.

Prazos e expectativas

Então, agora a questão principal consiste primeiramente em quando, afinal das contas, o trigo russo poderia ficar à disposição dos consumidores brasileiros. Porém ainda é difícil indicar um prazo concreto, disse o diplomata.

“Não existe um prazo. Agora é a questão comercial somente. Eu lhe diria que o prazo aí depende de ajuste de preço entre as partes. O governo está fora dessa negociação a partir de agora. O papel do governo é regulamentar, nesse caso, [se trata das] exigências de natureza fitossanitária. E então, como é que se fez? Se fez a partir de análise de risco que se faz. Bom, feita a análise de risco, chegou a um acordo com país. O governo agora sai de cena e aí é agora coisa de privados. O exportador russo e importador brasileiro”, explicou o senhor Coutinho.

Obviamente, a respectiva abertura tem o potencial de influenciar bastante o balanço comercial entre os dois países, tanto mais que este nicho no mercado do Brasil ainda não está completamente lotado.

Segundo explicou o diplomata, o Brasil consome historicamente próximo de 12 milhões de toneladas por ano, produzindo cerca da metade disso, que, claro, nem se compara com a Rússia, maior produtor de trigo no mundo, com seus mais de 130 milhões de toneladas produzidas e cerca de 50 milhões de toneladas exportadas.

“Quer dizer, o Brasil tem um déficit de mais ou menos 6 milhões. Estou dizendo em linhas gerais, pode ser um pouco mais ou um pouco menos, depende do ano e depende da safra. Mas em média são seis [milhões]. Se você colocar um déficit aproximado a seis milhões, isso quer dizer que o Brasil tem que importar 6 milhões de trigo. Hoje, o maior fornecedor desse trigo ao Brasil é o Mercosul, ou seja, Argentina, Uruguai e Paraguai”, adiantou.

No entanto, não são apenas estes países que fornecem os restantes 6 milhões de toneladas que o Brasil importa. Temos também os EUA e o Canadá. Deste modo, o Mercosul, em média, exporta para o Brasil cerca de 4,5 milhões de toneladas, inclusive por agir no âmbito do acordo comercial e por fazer parte do bloco, e sendo privado de taxação do trigo.

Já no caso de fora do Mercosul tem taxação, porém, esse procedimento também pode logo ser modificado, segundo nos revelou o senhor Coutinho.

“[Outro] trigo está taxado na faixa de 10%, qualquer trigo — o trigo russo, canadense, norte-americano. Existe também [a proposta] que já foi levada à votação na SECEX [Secretaria de Comércio Exterior] de que o Brasil está tentando uma cota de 750 mil toneladas anuais sem taxação, ou seja, seria o trigo russo tendo iguais condições com o da Argentina, do Uruguai e do Paraguai. Mas pode ser também canadense ou americano. Isso deve ser votado agora no próximo mês de maio”, informou.

Possíveis obstáculos

Dessa maneira, agora, que a Rússia entrou no mercado, tem que ser competitiva para conquistar o mercado do país verde-amarelo. É bem evidente que um dos fatores é o preço, como é sempre nas relações comerciais. Já neste contexto, dada a distância entre os nossos países e o custo de transporte, seria justa uma preocupação de que isso seria um obstáculo para o êxito do trigo russo no Brasil. Contudo, o diplomata brasileiro rechaçou tal teoria, afirmando que esse problema é fácil de ser resolvido.

“Eu acho que o fator do preço é importante, mas ele não é o único fator determinante. Eu creio que, dada até minha experiência do mercado… O preço é uma das coisas que vai levar o importador a tomar a decisão. Mas você tem a questão também de qualidade, você tem a questão de acerto do modo de pagamento, faz parte de um pacote. E você também tem a questão da continuidade de fornecimento, que também é um fator de importância muito grande para o comércio nacional”, opinou.

Para concluir, o diplomata sugeriu de que modo isso poderia ser feito:

“Eu imagino um modo que poderia funcionar. Por exemplo, a Rússia é um grande importador de soja brasileira. E o mesmo navio que vem com soja de lá para cá, pode ser o mesmo navio que leva o trigo para lá. Se isso for levado a cabo, só uma operação já diminui bastante o preço.”

SPUTNIK

Jornalista DRT/MTB nº 4584/BA - Atualmente é editor dos sites Tudo é política e Página Simões Filho. Tem formação em contabilidade e experiência como Instrutor profissional nas áreas de designer gráfico e programação para web.

Continuar Lendo
P U B L I C I D A D E
Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Brasil

Eleições 2018: para a mídia, o que não pode na Venezuela, pode no Brasil. Por Suzana Miotti

Publicado

em

PIG
56 anos de emancipação

POR SUZANA MIOTTI No DCM – Um paiseco da América do Sul, seguindo a sua Constituição, resolveu realizar eleições neste ano de 2018 para presidente.

O atual governante, cujo partido está no poder há aproximadamente três décadas, em conjunto com os poderes Legislativo e Judiciário, após seguirem um processo jurídico, que especialistas internacionais alegam estar sendo tendencioso, decidiram deixar os principais opositores na cadeia.

Impediu-os de participar do pleito e colocou o pleito sob suspeição pelas principais potências ocidentais. 

Sanções econômicas ajudarão a aumentar a agonia desse povo, que já sofre com o aumento dos custos básicos de vida como, por exemplo, gás, gasolina e alimentos. 

Não, não é a Venezuela. É o Brasil do MDB, de Temer e da Globo.

Todos os argumentos citados acima são utilizados para descrever o regime bolivariano.

Maduro foi reeleito através do voto popular, livre, secreto e pessoal.  

O MDB, por sua vez, ocupa o cargo de presidente ou vice-presidente da República desde a redemocratização, no final da década de 1980.

E, para continuar no poder em 2019, articula com antigos aliados como PSDB, DEM, PP, entre outros. E, também com ministros do STF. 

Desse modo, conseguiram trancafiar o principal líder oposicionista do país, Lula.

Sim, ele sofreu um processo que respeitou os trâmites legais que, estranhamente, foi mais célere do que em outros casos, como o do ex-governador mineiro Eduardo Azeredo.

Mas por acaso o Judiciário venezuelano não respeitou os seus trâmites legais ao prender liederanças da oposição?

Muitos podem contestar as prisões venezuelanas chamando-as de abusivas — mas e as prisões cautelares de mais de dois anos do juiz Sergio Moro, não o são?

Em resumo, é impressionante como os argumentos utilizados pela mídia para criticar o modus operandi de Maduro e companhia servem para o Brasil.

Afinal de contas, o que não pode lá, pode cá?

Porque, ironicamente, respeitando as especificidades de cada país, a situação do Brasil e da Venezuela são parecidas. A começar pelo cerceamento político de seus opositores.

Continuar Lendo

Brasil

Camisa da Seleção virou sinônimo da vigarice e é por isso que encalhou

Publicado

em

Caminsa da Seleção Brasileira encalhada - simões filho
56 anos de emancipação

Por Joaquim de Carvalho no DCM – Tem um meme que circula na internet que mostra uma menina chorando, vestindo a camisa da Seleção Brasileira, que diz: “Essa eu não quero, é a camisa do pato”.

O uniforme da Seleção Brasileira encalhou, porque virou símbolo de algo muito ruim: um movimento que destruiu a economia brasileira e tirou do poder uma presidente sem crime de responsabilidade.

Símbolo de um movimento que não foi pelo bem do Brasil, mas por vingança, o terceiro turno das eleições de 2014.

No Carnaval, a Acadêmicos do Tuiuti colocou na Sapucaí passistas com o uniforme da Seleção, montados na alegoria de um pato da Fiesp e guiados por uma mão grande.

Manifestoches da Tuiuti carnaval 2018 - simões filho

Além de golpista, a camisa da CBF virou então sinônimo de tolo, manipulado – o manifestoche, na definição do carnavalesco Jack Vasconcelos.

E manchou com a cor da vergonha a Seleção Brasileira, sem exagero o retrato mais fiel do que este país é, um país de negros, mestiços.

Se faltam oportunidades na sociedade em geral, no futebol lá estão eles, depois de vencerem muitos obstáculos.

Meritocracia de verdade. O enganador, branco ou preto, não dura. É preto no branco.

Talvez seja esta a razão de a Seleção Brasileira ter sido tão prestigiada: fazia todos se se sentirem representados.

Mas não está empolgando mais.

Manifestações na PaulistaNa semana passada, o baterista do Ira André Jung se manifestou no Facebook:

“A um mês da Copa e nada de verde e amarelo … sinto que o movimento paneleiro, hoje morto de vergonha, é o grande responsável pelo fracasso nas vendas de camisas, bandeiras, faixas e outros símbolos pátrios. A camisa da seleção virou uniforme de pato.”

Neste fim de semana, durante a Virada Cultural, João Gordo, do Ratos do Porão, foi mais direto:

“Tá chegando a copa e eu não vejo NINGUÉM com a camisa do Brasil. Pq essa camisa virou sinônimo de filho da puta, de golpista”.

Sinônimo do que foi o maior engodo da história recente no Brasil.

Uma camiseta que nos faz lembrar da foto que viralizou às vésperas do impeachment: o casal rico com os filhos no carrinho caminhando para a manifestação, todos de verde e amarelo, exceto a babá, negra, de uniforme branco. Um país que querem só pra eles, não para ela.

Como esquecer?

Entre outras muitas coisas, o golpe tirou do Brasil a alegria de torcer pela Seleção.

Ainda vamos torcer, pode apostar, quando o brasileiro entrar em campo e mostrar ao mundo o talento no futebol.

Mas torceremos sem a alegria de antes.

A camisa amarela, o escudo da CBF, sempre nos fará lembrar de que o Brasil se tornou um país onde o maior líder popular foi preso — sem provas de que é corrupto —  e os corruptos comprovados estão soltos.

Um país usurpado.

Um país indefensável.

Continuar Lendo

Brasil

Prender Lula, um plano antigo, revela o jornalista Marcelo Rubens Paiva

Publicado

em

Simões Filho - Marcelo Rubens Paiva
56 anos de emancipação

“Há anos Moro já dizia que prenderia Lula”, diz Marcelo Rubens Paiva

TV 247 O jornalista e escritor Marcelo Rubens Paiva, que acaba de lançar o livro “O orangotango marxista”, contou em entrevista à TV 247 nesta semana que teve a ideia de analisar os humanos do ponto de vista de um animal de tanto observar um zoológico em Americana, interior paulista, onde “não tem nada para fazer”. No livro bem-humorado, um orangotango aprende a ler em um laboratório onde é objeto de pesquisa e depois que é preso em um zoológico, lembra dos ensinamentos dos pensadores e quer fazer uma revolução para libertar os bichos, inspirado em Karl Marx.

Marcelo Rubens Paiva viveu em seu núcleo familiar as atrocidades da ditadura militar. Seu pai, o deputado Rubens Paiva, foi morto por agentes do regime, após ter sido torturado. Em 1971, seus restos mortais foram jogados ao mar.

Ele considera que a exaltação hoje aos tempos sombrios da farda, representado por figuras como Jair Bolsonaro, é reflexo de alguns erros, inclusive da esquerda. “Faltou levar às escolas um ensino que mostre de fato como foi a ditadura militar. Os jovens de hoje não têm nenhuma noção do que foi o regime, nenhum governo abriu os documentos secretos da ditadura”, critica.

Recentemente, documentos da CIA revelaram que Ernesto Geisel, penúltimo presidente da ditadura, de 1974 a 1979, teria concordado expressamente com execuções sumárias de opositores do regime militar. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) confirmou em 2014, após três anos de trabalhos, 434 mortes e desaparecimentos durante a ditadura militar no país.

O jornalista enfatiza a importância do documento, considerado por ele estarrecedor. “De fato, havia uma cadeia de comando para executar pessoas. É um documento importantíssimo”, ressalta, destacando também a importância do trabalho do pesquisador Matias Spektor, da FGV, responsável pela divulgação do fato histórico.

Ele desqualifica as mentiras usadas pelo Exército para justificar um golpe militar. “Foi uma ameaça comunista que deflagrou o golpe militar de 1964. Onde existe comunismo no Brasil? Nem o PCdoB é comunista. Uma balela dessas apenas engana quem desconhece a história”, argumenta.

Apesar do fascismo em alta no País, Marcelo não crê na possibilidade de um novo golpe militar. “Acredito que o centro irá formar um grande bloco para enfrentar o Bolsonaro, pode até ser encabeçado pelo Ciro Gomes”, projeta.

O jornalista enumera outros pontos negativos para o deputado de extrema direita. “Bolsonaro tem apenas 13 segundos de TV, o que pesa muito, além disso, ele tem força apenas nas redes sociais, e a internet é um fenômeno ainda não expandido no País”, avalia.

Prender Lula: um plano antigo

Ao comentar o cenário político do Brasil, o escritor contou ter ouvido do jornalista Sérgio D´Ávila, diretor executivo da Folha de S.Paulo, um relato feito por Moro a ele, D´Ávila. “O D´Ávila foi uma das primeiras pessoas que me contou que o Moro está à caça do Lula há muito tempo. O Moro já foi entrevistado pelo Sérgio D´Ávila há muito tempo e falou que o objetivo dele era pegar – palavras do Moro – o ‘chefe da gangue’, que era o Lula”.

Isso D´Ávila ouviu de Moro, reafirmou Marcelo, que não tem certeza da data do episódio, mas acredita ter sido no início da Lava Jato, por volta de 2014. “Eu nunca me esqueci disso”, comentou o jornalista. “E o Moro conseguiu, o cara foi fundo. E todo os depoimentos foram voltados para isso, as torturas psicológicas, coloca o Palocci quase numa solitária, aquele cara da Petrobras, o Paulo Roberto Costa, num presídio”, lembra.

Para Marcelo, “tudo poderá acontecer nestas eleições insanas”. “Lula anunciou que irá ser candidato, o PT não vai abrir mão disso, e nem deve, e ele hoje encontra-se em primeiro lugar nas pesquisas. Imagina um segundo turno com o ex-presidente encarcerado”, analisa, destacando que será uma situação inédita no Brasil.

Continuar Lendo

AS MAIS LIDAS DA SEMANA

Copyright © 2017 Página Simões Filho