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Cidade baiana é a mais violenta. Prefeito Eduardo Alencar fica surpreso

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Salvador (AE) – O prefeito do município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, José Eduardo Alencar, se disse “espantado” com o resultado da pesquisa Mapa da Violência, divulgada pelo Instituto Sangari hoje. O estudo coloca a cidade na liderança dos 67 municípios médios e grandes no Brasil com maiores taxas de homicídios. Segundo a pesquisa, Simões Filho, quinta economia da Bahia, apresenta 146,4 homicídios por 100 mil habitantes.

Na pesquisa anterior, divulgada no início do ano, Simões Filho tinha taxa de 152.6 homicídios para um grupo de 100 mil habitantes e ocupava a segunda colocação, atrás de Itupiranga, no Pará, com taxa de 160.6. Outras duas cidades baianas figuram entre as dez mais violentas do Brasil, ambas no sul do Estado: Porto Seguro, em quinto lugar com 108,3 homicídios e Itabuna,a oitava,com 103,9.

“Não sei em que eles basearam essa pesquisa, mas, com certeza esse resultado não reflete a realidade na nossa cidade e não bate com os números apresentados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado”, defende o prefeito, enquanto enumera os investimentos que vem realizando com recursos municipais desde que assumiu, há três anos.

Ele está no terceiro mandato, após dois subsequentes.

“Instalamos câmeras de monitoramento por toda a cidade, reequipamos a guarda municipal, reformamos a cadeia pública, adquirimos mais três viaturas e oito motos, entre outras ações, porque eu não sou prefeito de repassar responsabilidades para o Estado. Todas as ações que podemos fazer, temos feito. Além disso monitoro os índices mês a mês. Por isso, não acredito nessa pesquisa. Até 2008 podia até ser, depois disso, com certeza, não”, frisa, preocupado com os reflexos do estudo.

O prefeito acredita que parte da violência atribuída a Simões Filho deve-se à proximidade com Salvador. A distância entre uma cidade e outra é de cerca de 30 Km. Muito do que ocorre no entorno da capital é registrado na 8ª Delegacia, que fica no Centro Industrial de Aratu (CIA), no município vizinho.

Responsável pelo comando do policiamento ostensivo na cidade, o capitão Jorge Ricardo Albuquerque tem ponto de vista parecido com o do prefeito. Segundo ele, além das ocorrências registradas na 8ª delegacia, até 2010 vítimas de homicídio e tentativa de homicídio de favelas na região fronteiriça entre a capital e o município eram atendidas no Hospital de Simões Filho. Além disso, há muita desova de crimes cometidos em localidades vizinhas mais pobres, como o subúrbio de Salvador, que utilizam áreas de indústrias desativadas como depósito de corpos.

“Esse instituto toma como base as entradas hospitalares. Essa também pode ser uma explicação para o descompasso entre os números deles e os nossos”, supõe. Conforme o major, entre 1º de janeiro e 30 de novembro de 2010 foram 92 homicídios registrados na cidade contra 70 ocorrências no mesmo período de 2011, o que contabiliza 22 homicídios a menos. “Não tenho dúvidas de que a redução será ainda maior em 2012”, garante, muito embora os números de 2010 apresentem uma variação substancial no número de homicídios de cerca de 40% em relação ao ano anterior.

Ele admite, porém, que, a população de Simões Filho, estimada em 120 mil habitantes, tem maioria de baixa renda. Aqueles que atuam no centro industrial instalado na região ocupam apenas as funções que requerem menor qualificação. Os principais postos de trabalho são preenchidos por moradores da capital.

A topografia da cidade também dificulta a ação policial imediata. “Em alguns lugares não dá para entrar nem de moto, tem que ser à pé”, diz o major, que conta com um efetivo de 140 homens, em números absolutos, mas o ideal, estima, seria 30% mais.

Em nota distribuída no início da noite, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que o secretário Maurício Telles concorda que houve aumento nos números da violência nos últimos 30 anos. Contudo explicou que o planejamento executado nos últimos anos conseguiram reduzir em 16% as taxas da violência no primeiro semestre de 2011 em relação a igual período de 2010. A expectativa é também de queda com elação ao segundo semestre, que ainda não tem números fechados.

A reportagem tentou ouvir um dos quatro promotores que atuam em Simões Filho, mas nenhum deles se encontrava na promotoria na quarta-feira. Até o início da noite o prefeito de Porto Seguro não foi localizado.

Agência Estado

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