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O JANEIRO MAIS POLÍTICO DA HISTÓRIA

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Por GUSTAVO CONDE – Quanto menos a imprensa fala da situação de saúde de Temer, mais eu sei que a situação é grave. Não rogo pragas. Apenas acho importante lidar com fatos minimamente concretos e transparentes, ainda mais em se tratando do estado de saúde do mandatário da nação, seja ele golpista ou não.

Com Tancredo Neves foi a mesma coisa. Parece que a imprensa tem tara em camuflar doença de político simpático a ela. Porque com político de esquerda, unha encravada vira amputação.

Vocês devem se lembrar dos casos de câncer de Dilma e Lula. Aliás, ambos trataram a doença com extrema coragem e transparência. Tinham o sentido da relevância das respectivas saúdes para a opinião pública, uma vez que eram presidenta e ex-presidente, figuras públicas.

Foram solidários, generosos, humanos, responsáveis, seguiram à risca as recomendações médicas e venceram doenças agressivas com extremo caráter e autoestima.

Mesmo assim – mesmo com essa dificuldade toda – a imprensa, num primeiro momento, ridicularizou (minimizou, deu margem às fakenews que acusavam a doença de blefe) e depois dramatizou: passou a especular o tempo de vida de ambos e, num gesto cínico, suspeitar que a junta médica ocultava informações. Foi terrorismo.

Praticaram também a boa e velha incitação de sempre: “vai pro SUS” era o grito de guerra estimulado por editores e colunistas.

Com Temer, a cobertura é completamente diferente. Aliás, é indiferente. Não prospectam informações, não interpelam médicos, não investigam medicações ministradas, não entrevistam especialistas, enfim, não fazem o terrorismo habitual dedicado a personalidades do PT e da esquerda.

Podemos lembrar que Guido Mantega perdeu a esposa recentemente para um câncer extremamente agressivo e a imprensa, em consórcio com a Lava Jato, explorou de maneira covarde e mesquinha o drama vivido pelo ex-ministro, inclusive, com requintes de crueldade – colunistas de opinião a reboque, sempre incitando a violência e a invasão de privacidade (chegou a haver manifestação contra o ex-ministro dentro do Hospital Albert Einstein).

Isso me faz lembrar também de Marisa Letícia, esposa de Lula. Chegou-se ao extremo de se divulgar mensagens de whatsapp de médicos residentes com receitas para “levar a óbito”, para deleite de antipetistas, esse doentes convictos e incuráveis.

Diga-se de passagem que quase nenhuma personalidade da ‘cena intelectual’ defendeu a privacidade e a dor da família Lula, esses mesmos que acabaram agorinha de defender Marcelo Freixo da “virulência petista”. Hipocrisia é palavra insuficiente para eles.

Enquanto isso – enquanto escrevo essa pensata – Michel Temer flana com sua doença, despacha de uma cama (não sabemos direito porque ninguém diz) e o país segue, sem sequer conseguir nomear um ministro do trabalho, dada a profunda desorganização do governo, também ignorada pela imprensa.

O medo, a covardia, a fobia institucional é tal em Michel Temer, que ele vai se suicidando a conta-gotas. Não se afasta da presidência porque não respeita a própria vida e porque sua própria vida política está totalmente comprometida com favores, acordos espúrios e arranjos subterrânos. Se ele se afastar, todo esse castelo de corrupção se desorganiza.

Ele parece querer ir até o limite, mas o corpo humano não resiste a tamanha ausência de autopreservação biológica. A autopreservação política de Temer fala mais alto, neste momento, do que a própria autopreservação de seu corpo. É o paroxismo da covardia e do medo.

Com todo esse cenário narrativo escancarado à sua frente, crucial em termos de conjuntura política, a imprensa não move um músculo. Fecha-se em copas e redige os boletins médicos mais burocráticos – e suspeitos – possíveis.

O problema é que mascarar doenças é um procedimento com prazo de validade. A movimentação política em torno deste cenário, neste momento, é intensa e desloca adesões e quadros políticos de maneira acelerada. Um possível afastamento de Temer faz chacolhar meio congresso (aquela metade que ainda obedece a Cunha, da cadeia).

Esse tratamento da imprensa à doença de Temer é como se fosse um desenho explicativo para uma criança de 6 anos: imprensa e governo são uma coisa só. Todos sabemos disso, mas quando vemos desenhado chega a comover.

Tão simples saber, com base em tudo isso que, a despeito dessa parceria profunda, espontânea e naturalizada com a imprensa, o circuito do golpe está mais desorganizado que nunca. Uma doença colabora ainda mais para levar pânico a esta “desorganização” criminosa, temerária e suicida.

Janeiro de 2018 se insinua na história como o mês que não vai terminar: julgamento do maior político da história do país simultaneamente a uma crise brutal de confiança nas instituições, na economia e na própria imprensa, que não faz mais questão de manter nenhum tipo de aparência.

Antecipo a todos que a história gosta desse tipo de precipitações coletivas generalizadas. É o colapso de um sistema regido por várias ações de várias naturezas em vários contextos, mas todos numa só direção: o desenlace.

A crise pode ainda aprofundar um pouco mais, Temer pode ter mais um pouco de sobrevida política – e física -, o desenho eleitoral pode sofrer mudanças bruscas ou leves (lembremos que em ano eleitoral no Brasil costuma cair avião e morrer personagens centrais). Mas a precipitação de todo o substrato do golpe é irreversível.

O calendário, a rigor, tem esse poder, ele foi feito para organizar o gerenciamento do tempo humano. O calendário eleitoral, portanto, cumpriu, surpreendentemente, esse papel: todas as ações foram sendo executadas com 2018 no horizonte.

É aí que vemos a importância descomunal de Lula. Ele também “marca” esse tempo, pois todos foram olhando para 2018 diante do temor e do amor de Lula. É um marcador de tempo coletivo e histórico extremamente eficaz.

Mais ainda, pelo fato do TRF-4 ter feito a besteira de marcar uma data limite – precipitada – para o julgamento de Lula. A data se tornou cabalística e mobiliza todo o país (até os negócios estão sendo feitos com base no dia 24 de janeiro).

Doença, golpismo, injustiça, mobilização, deflagração, memória, democracia, soberania, futuro, instituições, poderes, reordenações, negócios, vazamentos, prisões, libertações. Tudo se alinha para este janeiro. Tudo se acelera. Tudo se insinua. Tudo se escancara.

P U B L I C I D A D E

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PROPOSTA DE UM IMBECIL: BOLSONARO AVALIA CRIAÇÃO DA “SECRETARIA DE DESESQUERDIZAÇÃO”

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Parece piada, mas não é.

A proposta imbecil foi feita pelo deputado federal Heitor Freire (PSL-CE) na última quarta-feira (13), ao presidente Jair Bolsonaro.

A sugestão do deputado sem noção, é para que seja criada uma Secretaria Especial de “Desesquerdização” da Administração Pública.

No documento, Freire diz que o Brasil foi “palco de assaltos ao longo de mais de duas décadas de governos esquerdistas, especialmente pelo Partido dos Trabalhadores” e que a vitória de Bolsonaro “não foi suficiente para expurgar de forma imediata os agentes da esquerda infiltrados na administração pública”.

O deputado também afirma que a Secretaria estaria “destinada a realizar um amplo controle, fiscalização, identificação, mapeamento, monitoramento, com consequente sugestão de exoneração por decisão do Presidente da República, de todo aquele agente de esquerda a que atue de forma oculta e que continue trazendo danos diretos e indiretos para a sanidade desta nação”.

Com informações do DCM

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SUZANO: REINALDO APONTA RESPONSABILIDADE POLÍTICA DE BOLSONARO PELOS MORTES

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O jornalista Reinaldo Azevedo aponta a responsabilidade política do presidente Jair Bolsonaro, que durante a campanha fazia pose com sinal de armas nas mãos e, já na Presidência, responsável pela flexibilização da posse de armas para a população. “O que o presidente Jair Bolsonaro tem a ver com a tragédia na escola de Suzano? Tudo!”, diz Reinaldo, em seu blog. “É claro que ele não pode ser responsabilizado pelo ato tresloucado de duas pessoas. Não se trata de responsabilização penal, mas de responsabilidade política”, completa.

Para Reinaldo Azevedo, o discurso de Bolsonaro “está na raiz do problema. Não fosse assim, ele teria se manifestado de pronto. Mas com que cara?”. O presidente se posicionou (pelo Twitter) apenas sete horas depois da tragédia. “Sobre um sujeito que urina em outro, proselitismo vulgar; sobre o massacre numa escola, o silêncio. O tuíte do xixi tinha 177 toques sem espaço. A parte da nota planaltina que se refere aos mortos e seus familiares, 170. Desconto, nesse caso, o cabeçalho genérico e a oferta feita a São Paulo, o ente federativo, que não levou tiro”, comparou Reinaldo, em referência à postagem do Carnaval.

O colunista lembra ainda as declarações feitas por Bolsonaro a jornalistas, nesta manhã, horas antes da tragédia em Suzano, quando anunciou que pretende apresentar ao Congresso uma proposta de flexibilização do porte de armas. “E aí, sim, mora um grande perigo”, avalia. “Suas afirmações infelizes foram feitas pouco antes da tragédia de Suzano, o que demonstra que os fatos começam a perseguir as bobagens de Bolsonaro. Não há nada de místico nisso. É que tragédias, com efeito, acontecem. E elas perseguem com especial afinco aqueles que mais dizem tolices”, ressalta.

Brasil 247

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QUERENDO APOIO DE IDIOTAS: EDUARDO BOLSONARO DIZ SER “ARBSURDO COGITAR”QUE LULA VÁ A ENTERRO DO NETO

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Rui inicia em Alagoinhas série de encontros com gestores escolares

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Rui inicia em Alagoinhas série de encontros com gestores escolares

Tudo é Política – Alagoinhas foi o município a receber a série de encontros entre o governador Rui Costa e diretores, vice-diretores e coordenadores pedagógicos de escolas instaladas no território baiano. A primeira reunião, de 27 já programadas, ocorreu no Centro Territorial de Educação Profissional (Cetep), na tarde desta quinta-feira (21).

“Vou conversar com os diretores e todos que são peças fundamentais dentro da comunidade escolar para incentivar o total engajamento desse pessoal. Vamos ver quais são as demandas, alinhar e aproximar ainda mais a Secretaria da Educação das escolas da rede estadual. Essas reuniões vão acontecer dentro dos próximos 60 dias, em todos os 27 Núcleos Territoriais de Educação [NTE], e ouviremos todos”, garantiu Rui.

Também presente no encontro, o titular da Secretaria da Educação do Estado, Jerônimo Rodrigues, destacou que “nessa segunda gestão, o governador decidiu ir a todos os territórios para fazer uma reunião de escuta

, mas também para apontar o desejo de ir além daquilo que as escolas já têm feito. Nós temos profissionais com muita qualidade, mas o processo de aprendizagem precisa ser ampliado. É isso que o governador quer: garantir que a infraestrutura das escola seja remodelada, mas que o processo de aprendizagem seja o foco de debates”. 

Em Alagoinhas, participaram do encontro representantes das 48 unidades escolares que integram o Núcleo Territorial de Educação (NTE 18). Foram abordadas questões e demandas relativas à rotina escolar, desde o aspecto administrativo ao pedagógico, envolvendo toda a estrutura de ensino da rede estadual. Os educadores também fizeram perguntas ao governador e ao secretário. 

Nesta sexta-feira (22), o segundo encontro será em Jacobina, no centro norte da Bahia, às 14h, no Centro Educacional Deocleciano Barbosa de Castro.

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AO VIVO: STF retoma julgamento sobre criminalização de atos de homofobia

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BOLSONARO MANDA ONYX NEGOCIAR ACORDO COM BEBIANNO; OUÇA O ÁUDIO

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No Tudo é Política – Uma reportagem do jornal O Globo revela que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) destacou o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, para negociar um acordo com o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno.

De acordo com o jornal, a conversa foi obtida a partir de um telefonema aparentemente acidental do ministro da Casa Civil para um jornalista do O Globo.

É possível perceber que na conversa, o presidente mostrou-se preocupado com o fato de ainda ser representado em processos judiciais por Bebianno, que é advogado.

Onyx disse a Bolsonaro que teria uma conversa reservada com Bebianno ainda nesta tarde e prometeu “acertar” a questão.

— Você vai conversar com ele sobre as ações? — pergunta Bolsonaro.

Onyx confirma que abordará o assunto na conversa.

— Se ele (Bebianno) me cobrar individualmente o mínimo, eu tô fodido… Tem que vender uma casa minha para poder pagar — disse Bolsonaro.

Onyx também informa ao presidente sobre contatos que teve com o ex-ministro, por meio de intermediários, após o jornal Folha de S.Paulo publicar nesta quarta-feira uma nota sobre a suposta intenção de Bebianno de juntar documentos para contar histórias sobre a campanha de Bolsonaro e o período em que ficou no governo.

Sobre a potencial ameaça, Onyx diz ao presidente que Bebianno teria “dado a palavra” de que não faria mais declarações sobre a polêmica envolvendo Carlos Bolsonaro e a troca de mensagens dele com o presidente.

— A Folha deu uma nota e o Antagonista acabou de reproduzir e ele (Bebianno) acabou de ligar e pediu para tirar. Que é o seguinte… Que ele estava preparando documentos e não sei o quê para atacar. Ele disse ao Jorge (possivelmente Jorge Oliveira, subchefe de Assuntos Jurídicos do Planalto): “o que eu tinha para fazer, eu fiz ontem. Eu não dou mais nenhuma palavra, acabou tudo ontem. Eu to te dando a minha palavra. Ok?” Então, agora, no fim da tarde, para tu saber, eu vou lá dar uma conversada com ele.

O site O Antagonista havia, de fato, replicado a notícia do jornal. Como Bebianno teria relatado a Onyx, o site retirou o conteúdo do ar.

Ouça o áudio:

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