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Temer, Marun, o Judiciário e o país que faz da chantagem a sua bandeira

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Por Carlos Fernandes no DCMMichel Temer prova, dia após dia, que o seu governo não possui limites quando o assunto é afrontar as leis e a dignidade pública.

Talhado nos piores vícios das piores práticas políticas, a quadrilha do Palácio do Planalto não economiza em escandalizar as instituições, o parlamento, os entes federados e a própria República.

Escoltado pelo seu mais novo cão de guarda palaciano – o brucutu que atende pelo nome de Carlos Marun – a dupla tem feito mais pela desmoralização e criminalização da política do que qualquer marginal eleito pelo tráfico de drogas jamais poderia imaginar.

Visto que a compra direta de deputados em ano eleitoral já não é suficiente para arrebanhar o número suficiente de covardes que pretendem emplacar o mais duro golpe nas classes menos favorecidas, a última investida se dá agora diretamente nos governadores.

Numa retórica que deve estar fazendo com que Cícero, o grande orador romano, se revire no túmulo, Marun, o rinoceronte numa loja de cristais, veio a público afirmar que condicionar os financiamentos que estão disponíveis nos bancos públicos para aliviar a situação catastrófica dos estados em troca de votos para a reforma da previdência, “não é chantagem”.

Segundo o energúmeno, trata-se apenas de uma “política de governo”.

O fato em si já seria um escândalo se não levasse a reboque o crime de lesa-pátria de estar transformando importantes bancos públicos em meros instrumentos de negociatas espúrias ao custo da deterioração de suas imagens, do comprometimento da eficácia de suas políticas econômicas e sociais, da quebra de sua soberania contábil e do esfacelamento no quesito impessoalidade na liberação de recursos.

E pensar que uma presidenta foi afastada acusada de “pedaladas fiscais”.

O assunto é tão ultrajante que até correligionários de ocasião como o governador do RN, Robson Faria, já sente na pele o preço de ter aliado-se com a escória da política nacional.

Mandatário de uma gestão que levou o estado à bancarrota, Robson hoje não passa de uma ameba política que rasteja para concluir o seu mandato.

Enquanto o Rio Grande do Norte vive uma de suas maiores crises econômicas da história, o governador que preferiu ajoelhar-se ao golpe de 2016 agora pena para que seu atual presidente libere R$ 600 milhões que estão disponíveis na Caixa Econômica Federal.

O recurso é imprescindível para conter a onda de paralisações no serviço público do estado que já atinge os profissionais da saúde, educação e segurança. Enquanto o “acordo” não sai, os salários dos servidores simplesmente não são pagos.

Nessa altura, alguém de boa índole e com um mínimo de esperança no poder judiciário já pode ter se perguntado: e a justiça não faz nada?

Na verdade fez. E o que de melhor ela sabe fazer: garantir o seu.

Alheio à escassez de recursos, o Tribunal de Justiça do RN, o mesmo que há não muito tempo virou notícia no escândalo dos precatórios, aprovou no mês de outubro o pagamento retroativo de auxílio-moradia aos juízes potiguares.

Estima-se que o valor possa ultrapassar o montante de R$ 120 mil para cada magistrado. Teto do funcionalismo público? Que bobagem.

Pois é! Enquanto a população sofre com a insegurança (a Polícia Militar continua em greve) e os professores da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte ainda aguardam o recebimento dos proventos de novembro, dezembro e décimo-terceiro, o ilustre poder judiciário ostenta suas benesses na sua folha de pagamento.

Para que não reste dúvida do descaso com que o Poder Judiciário trata os recursos públicos, basta mencionar também que o mesmo TJRN não vê qualquer problema em pagar um salário superior a R$ 7 mil a alguns de seus estagiários.

Não, você não leu errado. Num estado economicamente quebrado, o TJRN paga mais de sete mil reais a meros estagiários sem qualquer concurso público. Não basta ter privilégios, é preciso esfregá-los na cara de quem não os possui.

O Rio Grande do Norte hoje é um retrato 3X4 do Brasil pós-golpe.

Numa nação que abdicou a democracia pelo estelionato, sua bandeira não poderia ser outra mesmo se não a da chantagem.

Com Supremo, com tudo.

P U B L I C I D A D E

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COMPREI NO DI MAINHA E PRECISO REGISTRAR O QUE OCORREU

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Restaurante Di Mainha em Simões Filho

De certa forma, criticar o comércio de Simões Filho é fácil. Os críticos não se arriscam, e ainda ganham momentânea notoriedade criticando o empresariado local que, corajosamente, decide empreender em uma cidade que pouco valoriza seu comércio.

O entendimento geral é de que a prestação de serviços e o atendimento no comércio local é o pior que um cliente pode encontrar em toda a Região Metropolitana da capital baiana – Salvador.

O cidadão simõesfilhense costuma ser indiferente às dificuldades do empresariado local e a cobrança pelo bom atendimento é constante, uma vez que os shoppings da capital estão a alguns minutos de distância percorridos em confortáveis automóveis ou até mesmo sufocantes ônibus coletivos.

Mas, às vezes, é preciso encarar o fato de que quando menos esperamos, somos surpreendidos por atendimentos que nos impactam pela simplicidade, pelo carinho e pela dedicação.

Ontem, decidi comprar umas quentinhas para almoçar com minha filha, em casa.

E o local que busquei comprar foi num restaurante próximo de casa, no Vida Nova, chamado DI MAINHA.

A atendente, com uma atenção incomum, me passou, pacientemente, todas as informações sobre seu cardápio e que não fornecia as tais quentinhas, mas que tinha uma forma de venda diferente na qual o almoço que seria servido à mesa, era embalado para viagem com um pequeno custo adicional.

Mesmo com pressa, fui facilmente convencido a aceitar a oferta e ainda pedi alguns adicionais: refrigerante e uma cerveja.

Recebi a sacolinha com os pedidos e efetuei o pagamento.

No curto percurso para casa, fui pensando em registrar, de alguma forma, o bom atendimento que recebi naquele singelo restaurante, perto de casa.

Quando abri, a embalagem junto com minha filha, vi uma anotação feita com caneta esferográfica nas tampas das quentinhas, onde se lia: “Di mainha Agradece! Comida Baiana, Bom Apetite!”

A anotação estava ornada com um coração em duas cores, azul e vermelho.

A mensagem, simples, informativa e atenciosa, para mim, foi um demonstrativo de que além do atendimento dedicado da atendente, havia uma preocupação em prolongar a lembrança do cliente em relação ao restaurante.

Sempre ouvi reclamações sobre a má qualidade do atendimento no comércio local, mas o atendimento no Di Mainha, ontem, me chamou a atenção.

Como jornalista, me sinto na obrigação de registrar bons exemplos como este, que não me ocorreu em uma restaurante de luxo e nem foi dado por um garçom vestido a caráter.

Isso só prova que há um caminho para a evolução no atendimento do comércio de Simões Filho.

E esse caminho, não necessariamente envolve altos investimentos e sim, dedicação.

De uma coisa tenho certeza: voltarei ao Di Mainha e com muita fome.

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ALBA

O MAIOR DESAFIO DA DEPUTADA KÁTIA SERÁ A COMUNICAÇÃO COM QUEM ESPERA POR “MILAGRES”

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http://tudoepolitica.com.br/o-maior-desafio-da-deputada-katia-sera-a-comunicacao-com-quem-espera-por-milagres/

Do Tudo é Política – Chegou a hora da onça beber água.

Esse dito popular retrata de maneira simples, momentos tensos, difíceis e que exigem soluções imediatas.

Pela primeira vez Simões Filho elege deputados estaduais.

Dois de uma vez.

Mas para que serve um deputado estadual?

E para que servem dois deputados?

A maioria das pessoas não sabe responder.

Todos esperam dos dignos representantes simõesfilhenses, soluções para problemas antigos.

Sendo Kátia Oliveira, a primeira-dama do município, ex-vereadora e a primeira deputada da história da cidade, é possível afirmar que sua principal função, pelo menos no primeiro ano de mandato, será atuar como uma PROFESSORA para aqueles que esperam dela “milagres” conquistados aos gritos.

O objetivo  da comunicação é fazer-se entender. Mas há quem prefira se desentender.

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Caso de Fábio Assunção engrandece o debate sobre o alcoolismo

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Fábio Assunção

O ator Fábio Assunção ganhou os noticiários nos últimos dias, depois de fazer um acordo com a banda La Fúria e com o compositor Gabriel Bartz para que os lucros recebidos com uma música que leva seu nome e faz alusão ao uso desenfreado de álcool e drogas seja destinado para instituições que tratam dependência química. Muito mais do que um ato de solidariedade, a postura de Fábio traz à sociedade um debate que precisa ser feito para se possa avançar na forma como se vê e se trata essa patologia que afeta mais de 200 milhões de pessoas. O diferencial de um caso que poderia ter sido de mera banalização do sofrimento do dependente foi o posicionamento do ator, que gera um saldo positivo para o episódio.

“A atitude de Fábio Assunção mostra uma maturidade em querer mostrar que existe um problema que precisa ser visto e cuidado de uma forma consciente. A dependência de álcool não é seriamente debatida em sociedade. Esse episódio pode alcançar muita gente e também abrir diversas discussões, levando esse tema à uma discussão mais qualificada e profunda”, destaca o psicólogo e diretor técnico da Holiste Psiquiatria, Ueliton Pereira.

O especialista comenta que a visão que a sociedade tem sobre o consumo de álcool é cheia de estigmas e frequentemente eles levam à marginalização, criando toda uma trama negativa para com o sujeito e a família.

“Falando em dependência química, principalmente voltado para o álcool, tudo se torna muito mais delicado. Não temos uma cultura de que álcool é uma droga e por isso se banaliza o excesso de consumo dele. No caso dos memes e da música, foi uma forma de trazer à tona um comportamento desenfreado e mostrar para o público. Acredito que se pegarmos a música e trabalharmos em cima dela para falar sobre a problemática é muito mais interessante e saudável do que proibi-la”, completa Ueliton.

O psiquiatra da Holiste Luiz Guimarães chama atenção para os estigmas que atingem os adictos, que acabam afetando a busca por ajuda especializada.

“O grande problema quando ouvimos falar desse tema é que pensamos que as pessoas são fracas, são complicadas, mentirosas ou necessariamente ladras. Em especial em relação à dependência química, a reação das pessoas é sempre carregada de preconceitos. E na verdade, existem patologias ligadas ao comportamento que precisam ser tratadas e o próprio preconceito muitas vezes impede o tratamento adequado”, observa.

Ueliton opina que é preciso tirar a valorização pejorativa e assumir uma postura mais madura de querer falar sobre esse tema, pensar e construir novas possibilidades e meios de trabalhar com a dependência química.


Uliton Pereira – Psiquiatra

“Precisamos crescer e tirar todos os tabus sobre todas as drogas. Acredito que precisamos amadurecer intelectualmente, encarar que existe um problema que não é a droga em si, mas o componente da compulsão que está presente em cada adicto. Quando falamos em tratamento de dependência química, não estamos falando que vamos tratar a droga, mas sim aquele sujeito que tem uma compulsão, que não sabe lidar com limites, frustrações e várias outras questões que são do campo emocional”, afirma. “Ninguém opta por ser dependente. Só se torna dependente aquele que não consegue lidar com seus limites e suas questões, e isso não é uma escolha”, complementa o psicólogo.

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Quatro armas por pessoa

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Quatro armas por pessoa

Por Gustavo Conde em Brasil 247 – É realmente um grande murro na fuça da intelectualidade antipetista reprimida brasileira essa ideia de o governo “liberar até quatro armas” por pessoa no país.

Quatro armas por pessoa.

Eu destaco a intelectualidade antipetista reprimida brasileira, porque eles ficaram todos massacrando o PT – mesmo depois de ele ter ‘saído’ do governo e mesmo depois de ele voltar a fazer um segundo turno nas eleições majoritárias -, enquanto o bolsonarismo nadava de braçada no ódio e no efeito manada de linchamento tão caro às sociedades fundamentalistas atrasadas.

Quatro armas por pessoa.

Agora, eles vão ver morrer muitos amigos jovens, muitos parentes, muitos “conhecidos” por acidentes com armas de fogo. E periga de eles colocarem a culpa no PT mais uma vez.

Quatro armas por pessoa.

É por isso que eu defendo o PT com todo meu ímpeto e desejo, sempre, sem um fiapo de dúvida. Muito petista até estranha. “Nossa, porque você defende tanto o PT?”.

Quatro armas por pessoa.

É simples. É porque eu defendo a vida, meu caro. Eu não defendo a morte. O PT é a nosso maior patrimônio de civilização e eu quero ver quem vai me impedir de dizer isso.

Quatro armas por pessoa.

Eu insisto, eu reafirmo, eu não tenho um pingo de medo de críticas nem de conselhos da própria militância que muitas vezes recua diante do assédio boçal da elite ‘transversa’ brasileira, transmutada no mais grotesco fascismo assassino contemporâneo.

Quatro armas por pessoa.

Contabilizem esse número, Pablo Ortellado, Fernando Henrique, Merval Pereira, Janio de Freitas (que ataca o bolsonarismo, mas que jamais na vida teve a capacidade de defender o PT claramente uma única vez), Roberto Mangabeira Unger, Eduardo Giannetti, Carlos Ayres Brito, Arthur Giannotti e toda a população de intelectuais acomodados que afunda no sofá confortável da própria inércia.

Quatro armas por pessoa.

Esse número é especialmente para vocês. É a homenagem do bolsonarismo às suas respectivas taras por apaziguamentos seguidos de populismos de classe – sic (porque criticar o PT dá Ibope e um púlpito na imprensa conservadora).

Quatro armas por pessoa.

São situações como essa que me fazem não ter dúvida. Mesmo distante das plagas institucionais-partidárias, eu irei continuar defendendo e consagrando a este partido singular todas as minhas energias políticas, práticas e teóricas, humildemente, dentro do meu quadrado de redator compulsivo.

Quatro armas por pessoa.

O PT é maior do que ele próprio acha que é, extrapola as caixinhas bem comportadas dos rótulos, dos simplismos, da política partidária meia-boca que os partidos adversários fazem – porque não entendem, não codificam e não sabem como combater politicamente um partido que representa a força real da população brasileira de verdade, não do marketing demagógico que seduz a nossa elite amesquinhada.

Quatro armas por pessoa.

Eis a conta para a classe média odienta e odiosa levar para seus obituários de luxo nas páginas gloriosas da imprensa elitista.

Quatro armas por pessoa.

O Brasil entrou em um imenso moedor de carne. Some-se esse holocausto premeditado à redução da maioridade penal, ao endurecimento de penas, aos delírios de ‘execução’ que fazem assoviar a cabeça vazia de governadores fanáticos e sufocados na própria testosterona.

Quatro armas por pessoa.

Esse é o recado do bolsonarismo a todos que passaram boa parte da vida criminalizando o PT, a política, o debate e, por tabela, a própria vida.

Quatro armas por pessoa.

Eu vou deixar de defender o PT quando o país voltar a si. Aí, veremos se a nossa sociedade terá a capacidade de produzir uma alternativa digna a este que, por enquanto, é o melhor espaço civilizatório deste país.

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Manifesto FENAJ sobre a eleição presidencial

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É hora de escolher a democracia

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), representante máxima da categoria no Brasil, novamente se dirige aos/às jornalistas e à sociedade para defender a democracia e opor-se ao fascismo emergente. Em breve, o povo brasileiro vai voltar às urnas para eleger o novo presidente do país e não restam dúvidas de que a disputa não se dá entre dois projetos democráticos, mas entre uma candidatura que respeita a institucionalidade e o jogo democrático e outra que representa uma regressão política e até mesmo civilizatória.

O Código de Ética do Jornalista Brasileiro estabelece, em seu artigo 6º, como dever do profissional: “I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;(…) X – defender os princípios constitucionais e legais, base do estado democrático de direito; XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos, negros e minorias;(…) XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.”

Portanto, além de um dever cívico, é também uma obrigação ética dos jornalistas posicionarem-se contra um candidato a presidente da República que faz apologia da violência, não reconhece a história do país, elogia torturadores, derrama ódio sobre negros, mulheres, LGBTIs, índios e pobres e ainda promete combater o ativismo da sociedade civil organizada. Esse candidato é Jair Bolsonaro, do PSL.

Propositadamente, ele faz uma campanha despolitizada, assentada em valores morais, família e religião; na disseminação de ideias como anticomunismo, racismo e intolerância à diversidade. Na verdade, representa os que, ainda hoje, não se conformaram com a redemocratização e com os avanços sociais ocorridos na última década. Bolsonaro representa os que temem a democracia e a organização do povo; fala em nome daqueles que não se incomodam com privilégios nem com a corrupção e que não se constrangem com o uso da força onde e quando julgarem necessário.

Como entidade representativa dos trabalhadores e trabalhadoras jornalistas, a FENAJ também chama atenção para o perigo da agenda de retrocessos nos direitos trabalhistas anunciada pelo candidato do PSL, que certamente aprofundaria ainda mais os retrocessos da contrarreforma trabalhista imposta à classe trabalhadora pelo governo Temer.

Do outro lado, temos a candidatura de Fernando Haddad. Sem cair na tentação de avaliar os governos do PT, podemos afirmar seguramente que o partido respeitou – e respeita – as instituições democráticas; apresenta-se para o debate público e submete-se à vontade soberana do povo, expressa nas urnas. Haddad não é, portanto, um extremista autoritário que apenas está no polo oposto, como querem fazer crer seus adversários políticos.

Assim, a Federação Nacional dos Jornalistas sente-se na obrigação de alertar a categoria e a sociedade em geral para a verdadeira disputa atual: ou democracia, com todas as suas imperfeições, ou o autoritarismo de base militar, com todos os seus males. A decisão, portanto, tem de ser no campo da política, com o debate público sobre o país e seu povo.

Em defesa da democracia!

Em defesa do Estado Democrático de Direito!

Em defesa dos direitos humanos!

Em defesa da soberania nacional e popular!

Brasília, 11 de outubro de 2018.

Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ.

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Brasil

Sem provas

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Sem provas

Judge Murrow começa a descer as escadas do Inferno.

Na Folha de São Paulo

Absolvição de Lula e outros quatro de obstrução da Justiça mostra os vícios de inquéritos baseados em delações.

Desnecessário apontar que absolvições podem ser resultados razoáveis de processos judiciais legítimos, por mais que estes tenham causado constrangimento aos réus.

Entretanto merece atenção mais detida, até por sua repercussão na vida política nacional, o caso em que o juiz federal Ricardo Leite absolveu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o banqueiro André Esteves, o ex-senador Delcídio do Amaral (MS) e outros quatro acusados de obstrução da Justiça.

O grupo teria, conforme a peça elaborada pelo Ministério Público, conspirado com o objetivo de calar Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras que procurava delatar o envolvimento de Delcídio do Amaral em corrupção na estatal.

O filho de Cerveró, Bernardo, gravou conversas em que o ex-senador —na época, líder do governo petista no Senado— oferecia dinheiro e outros favores a fim de obter o silêncio do delator, que envolveria os denunciados na organização dos desvios.

O então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu em novembro de 2015 a prisão de Delcídio e Esteves, entre outros, o que foi determinado pelo Supremo Tribunal Federal. Em julho de 2016, o juiz Leite aceitou a denúncia do Ministério Público. Em setembro de 2017, a procuradoria recomendaria a absolvição dos envolvidos.

Ao eclodir em tons escandalosos, o episódio acirrou as tensões de um ambiente político em que se iniciava o debate em torno do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Esteves permaneceu preso por mais de três semanas, e o banco que dirigia, o BTG, correu risco de insolvência.

É óbvio que não se pode abrir mão do recurso a prisões preventivas e provisórias. No entanto o desenrolar desse caso mostrou a fragilidade das evidências que basearam a detenção —e um processo de quase três anos.

Por difícil que seja antecipar as possibilidades para fundamentar a perda de liberdade, a reflexão se impõe sobre medida tão drástica.

Quão vulgar se tornou o recurso ao encarceramento provisório? Como autoridades podem ser responsabilizadas por decisões açodadas e mal fundamentadas?

Colocam-se em dúvida, mais uma vez, inquéritos amparados basicamente em delações, por fundamentais que estas sejam. É lugar comum dizer que tal instrumento deve ser escorado por evidências mais concretas. Neste e noutros casos de ampla repercussão, não se pode dizer que tais cuidados tenham sido tomados.

Reputações, empreendimentos, a política nacional e a credibilidade das instituições da Justiça são maculados por denúncias do gênero. O anseio compreensível pelo fim da impunidade não pode levar a atalhos que contornem as exigências dos processos corretos.

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