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Alberto Fernández se elege e derrota o neoliberalismo na Argentina

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247 – As primeiras informações oficiais do resultado das eleições na Argentina foram divulgados às 21h deste domingo (27).  

Com 94,4% dos votos apurados para presidente da Argentina, o candidato Alberto Fernández aparece com 47,87%, enquanto o atual presidente Mauricio Macri tem 40,63%.

Pelas regras eleitorais do país, o primeiro colocado será eleito em primeiro turno se tiver 45% dos votos ou, então, 40%, desde que tenha 10 pontos percentuais a mais que o segundo colocado.

Acompanhe a comemoração da vitória de Alberto Fernández:

Fernández nunca concorreu a um cargo majoritário. Ele é um dirigente peronista e tem ex-presidente Cristina Kirchner como sua candidata a vice-presidente. 

Nste domingo, Fernández utilizou suas redes sociais para desejar feliz aniversário ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pedir sua liberdade. O peronista foi a Curitiba visitar Lula e seu programa de governo tem projetos sociais inspirados nos governos Lula e Dilma. 

Em 2018, o presidente Mauricio Macri recorreu ao Fundo Monetário Internacional, que concedeu a ele ajuda financeira de US$ 57 bilhões em três anos, em troca de um programa de forte ajuste fiscal. Ainda falta a liberação de US$ 13 bilhões, mas o FMI aguarda o resultado da eleição para negociar com quem for eleito.

Durante a campanha, Fernández propôs uma trégua de 180 dias para sindicatos e movimentos sociais para fazer descolar a indústria e assim o país retomar o crescimento econômico.

Por outro lado, Mauricio Macri, que fracassou na aplicação do modelo neoliberal na Argentina, pediu um voto de confiança para continuar na linha de austeridade, que, ele argumentava, deveria dar frutos muito em breve.

Leia reportagem anterior, da agência Reuters, sobre as eleições na Argentina:

BUENOS AIRES (Reuters) – Eleitores argentinos foram às urnas neste domingo para votar em uma eleição presidencial que tem o candidato peronista de centro-esquerda, Alberto Fernández, como claro favorito a tirar a Presidência do neoliberal Mauricio Macri, que foi abalado pela severa crise econômica sofrida pelo país.

Uma vitória de Fernández, um político negociador cuja candidatura foi impulsionada pela ex-presidente e companheira de chapa Cristina Kirchner, gera preocupação no mercado financeiro, que teme que isso leve a uma maior intervenção estatal na economia.

Macri é o favorito dos mercados, mas os especialistas consideram muito difícil que ele consiga recuperar a vantagem de 20 pontos percentuais que Fernández registrou nas primárias de agosto, que funcionam como uma espécie de pesquisa de intenção de voto oficial.

Se o resultado das primárias se repetir neste domingo, o líder oposicionista vencerá já em primeiro turno.

“Acredito que vai haver mais participação do que nunca, ao menos do que em várias décadas”, disse o presidente Macri a jornalistas logo depois de votar. Ele acrescentou que “é preciso se expressar através do voto com clareza, de que é aquilo que você sente”.

Apesar dos investidores já considerarem a vitória do peronismo, o triunfo da oposição pode impactar os mercados na segunda-feira e provocar uma nova queda no já combalido peso argentino, que em agosto caiu muito após o resultado das primárias.

Fernández, que foi chefe de gabinete em parte dos governos do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) e de Cristina Kirchner (2007-2015), sua candidata a vice, é um peronista moderado, que conseguiu unir seu partido numa coalizão chamada Frente de Todos.

“Estamos numa enorme crise e temos que trabalhar juntos por um país melhor”, disse Fernández depois de votar.

A forte alta na inflação, no desemprego e na pobreza são os pontos fracos de Macri e de sua aliança de centro-direita, a Juntos pela Mudança, que no entanto mantém o apoio de um grupo de eleitores que veem nele uma melhora na transparência e nas iniciativas públicas.

As urnas ficarão abertas até as 18h no horário local e a expectativa é que os primeiros resultados da contagem preliminar sejam divulgados três horas depois. Além de presidente, os argentinos devem eleger deputados, senadores, governadores e dirigentes locais.