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Brasil

Fala de Bolsonaro tem alto grau de letalidade e incentiva o genocídio, diz filósofo

Se o Estado não mais garante a nossa sobrevivência, qualquer obediência a esse Estado é coparticipação de crime e suicídio”, analisou Roberto Romano

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Metro1 – Em entrevista à Rádio Metrópole, na manhã de hoje (25), o filósofo e professor Roberto Romano se disse “alarmado com o grau de letalidade” do pronunciamento oficial do presidente Jair Bolsonaro. Citando o teórico inglês Thomas Hobbes e a filósofa alemã Hannah Arendt, Romano avaliou que o incentivo à suspensão das medidas de restrição e isolamento social é uma forma de genocídio.

“A filosofia, e sobretudo a filosofia de um autor que é considerado muito autoritário, que é Thomas Hobbes, diz que nós nos submetemos ao Estado, ao soberano, porque ele garante nossa sobrevivência. A partir do momento em que o Estado não mais garante a nossa sobrevivência, qualquer obediência a esse Estado é coparticipação de crime e suicídio. Então, quem vai ter a coragem de aceitar que sua esposa ou seu esposo saiam para entrar em contato com milhares ou milhões de pessoas? Quem tiver essa coragem está partilhando com ele o suicídio, e isso é tipificado como crime contra a humanidade. Genocídio. Não há outro nome. (…) Estamos enfrentando a banalidade do mal, conceito de Hannah Arendt. Um dono de hamburgueria diz que 5 ou 7 mil pessoas mortas valem o sacrifício por conta da economia. Me pergunto se ele diria isso se a família dele estivesse em risco”, disse.