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Justiça prorroga por 30 dias prisão de detidos por incêndio em boate

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Estão presos os sócios-proprietários da Kiss, além do cantor e auxiliar da banda Gurizada Fandangueira.

O juiz Regis Betolini, da Comarca de Santa Maria (RS), prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária de Elissandro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, sócios-proprietários da boate Kiss, onde ocorreu o incêndio que matou 236 pessoas, na madrugada de domingo (27), e também do cantor Marcelo de Jesus dos Santos e do auxiliar da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha. Eles tiveram a prisão temporária, de 5 dias, decretada logo após o incêndio.

O pedido de prorrogação foi enviado para o juiz pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, que viu indícios de crime hediondo na morte das 236 pessoas na boate. Em manifestação encaminhada na quinta-feira (31) à noite à Justiça, os promotores Joel Oliveira Dutra e Waleska Flores Agostin afirmam que houve “um crime de homicídio qualificado” e que os acusados assumiram “risco de produzir o resultado morte”.

O sanfoneiro e gaiteiro da Gurizada Fandangueira, Danilo Jaques, o mais jovem do grupo, foi uma das vítimas. Danilo tocava com outros cinco integrantes da banda na boate Kiss no momento do incêndio.

O baterista da banda Eliel de Lima, 31, disse que foi o último músico a deixar o palco e que viu Danilo parado ao lado da porta do banheiro preso à sanfona e foi aí que ele ajudou o amigo a se livrar do instrumento. “A essa altura, o pessoal já estava correndo, a fumaça levantando, aí não vi mais ele, estava tudo escuro, era uma fumaceira”, disse.

236 vítimas
O número de vítimas do incêndio subiu para 236. Matheus Rafael Raschen, 20 anos, morreu na noite desta quinta-feira (31), por volta de 22h, no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Ele jogava basquete na seleção gaúcha.

Ele estava internado em estado grave depois de ter inalado a fumaça tóxica liberada pela queima da espuma que cobria o interior da boate. Segundo último levantamento, 71 feridos seguem em estado grave e estão na UTI. Até a manhã desta sexta (1), 127 permanecem internados em hospitais do estado.

Em entrevista nesta quinta (31), o delegado regional Marcelo Arigony afirmou que a espuma de isolamento acústico “foi a causa das mortes.” Segundo o delegado, essa espuma costuma ser utilizada em estúdios de gravação, mas geralmente combinada com algum outro material, que a torne menos inflamável. “A espuma foi colocada com a finalidade de melhorar a acústica do local”, explicou Arigony.

De acordo com relatos de sobreviventes, o fogo teria começado na espuma da boate, após um integrante da banda Gurizada Fandangueira manipular um sinalizador. Faíscas atingiram o teto e iniciou as chamas. O guitarrista da banda afirmou que o extintor de incêndio não funcionou.

Ontem, o advogado de um dos sócios da boate, Jader Marques, havia dito que a espuma tinha sido instalada por seu cliente para evitar a propagação de ruídos. Depois que a espuma foi instalada, a boate Kiss não passou por nenhuma vistoria dos órgãos públicos.

 

Fonte:correio24horas.com.br