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Rio dos Macacos

MPF vai investigar denúncia contra militares da Marinha em Simões Filho

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Oficiais são suspeitos de agredir moradores do Quilombo Rio dos Macacos.

Marinha vai apurar o caso e analisar as imagens das câmeras do local.

O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar a denúncia dos dois irmãos que alegaram agressão por parte de oficiais da Marinha, na tarde de segunda-feira (6), no Quilombo Rio dos Macacos, em Simões Filho.

RIODOSMACACOSRosimeire dos Santos afirma que levou murros e tapas do oficial enquanto estava amarrada. “Ele montou em cima de mim, me amarrou de costas, enfiou meu rosto no chão, me deu muitos tapas, murros, meu corpo todo está doendo, só porque eu ia para casa”, relata Rosimeire, que é moradora do Quilombo.

Já o irmão de Rosimeire, Edinei dos Santos, também afirma que foi agredido e está com hematomas no rosto e no braço. De acordo com os irmãos, as agressões ocorreram na entrada do Complexo da Base naval de Aratu. O local é o único acesso ao Quilombo Rio dos Macacos. A comunidade fica dentro do complexo e distante 1,5 km da guarita da Base.

A área é da União e administrada pela Marinha. Para entrar e sair de casa, os moradores sempre precisam se identificar e os carros são revistados. De acordo com Edinei, os oficiais não querem que eles transitem no fluxo de saída e entrada do complexo. “Eles não querem que a gente saia da comunidade e nem entre, é pra gente ficar preso. Se a gente sair, não pode entrar, se tiver algum parente de fora e for entrar pra visitar a gente, eles não querem que entrem também”, conta Edinei.

O Comando do 2º Distrito Naval disse, em nota, que Edinei fez ameaças a um sentinela que estava de serviço e Rosemeire teria tentado pegar a arma de um dos militares, por isso os dois foram detidos.

Além disso, o comando também afirmou que vai analisar as imagens das câmeras de segurança do local e abrir um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso. A Marinha ainda negou que o acesso seja restrito, mas confirmou que todas as pessoas que passam pelo local precisam ser identificadas.

O Caso
Familiares de dois irmãos alegam que eles foram agredidos por oficiais da Marinha na tarde de segunda-feira (6), no Quilombo Rio dos Macacos, em Simões Filho, cidade da região metropolitana de Salvador.

De acordo com um dos familiares que não quis se identificar, os irmãos Edinei dos Santos e a Rosimeire dos Santos moram no local e precisaram sair para matricular as filhas dela, mas quando voltaram e pediram para o oficial abrir o portão de acesso ao Quilombo Rio dos Macacos, o rapaz agrediu os irmãos.

“Ele [Edinei] chegou de carro e pediu para o rapaz abrir o portão. O homem não abriu e pediu que Edinei saísse do carro, como ele disse que não ia sair, aí o homem chegou perto dele e já foi pegando ele pela garganta, chutaram a mulher, as crianças saíram correndo para chamar ajuda. Colocaram até uma arma dento da boca dos dois e depois eles foram presos” conta.

Ainda de acordo com a testemunha, as agressões de oficiais da Marinha são constantes. “A gente vive isso direto, mas hoje eles não respeitaram nem as crianças foi o fim. Eles ainda disseram que com a farda eles não vão fazer nada, mas lá fora [na rua], eles podem fazer”, diz a pessoa que não quis se identificar.

Segundo familiares dos irmãos, eles foram soltos ainda na noite desta segunda e prestaram queixa na Polícia Federal, no bairro de Água de Meninos, em Salvador.

Em nota, a Marinha disse que os irmãos foram presos, pois foram violentos com os oficiais. Leia abaixo na íntegra.

“O Comando do 2º Distrito Naval informa que, por volta das 16h00 de hoje (06), foram detidos, no tombo pertencente à União, situado no Complexo Naval de Aratu e administrado pela Marinha do Brasil, o Sr. Edinei Messias dos Santos e a Sra. Rosimeire Messias dos Santos, moradores da comunidade conhecida como Rio dos Macacos.

As detenções foram motivadas pelas ameaças proferidas pelo Sr. Edinei contra as sentinelas de serviço e em razão do comportamento violento da Sra. Rosimeire, que tentou, inclusive, apoderar-se da arma de um dos militares. Os dois foram liberados após a situação ter sido controlada.

Um Inquérito Policial Militar (IPM) será instaurado, com apoio do Ministério Público Militar, a fim de apurar o ocorrido.”

 

Fonte: G1 Bahia

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