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“Os Infiltrados” e Dilma Rousseff.

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MW Auto Peças 40 Anos

O resultado decorre do faro jornalístico, instinto investigativo, garra e competência profissional de repórteres especiais que se reuniram para apurar fatos escondidos a sete chaves em arquivos e porões poeirentos.

Vitor Hugo Soares
De Salvador (BA)

Na sua passagem mais recente por Salvador, para rever a cidade – que anda meio perdida em labirintos de modernices e descontrolada sanha imobiliária – além de reencontrar amigos de antigos carnavais baianos que ela cultivou no Rio Grande do Sul em tempos temerários -, a arquiteta gaúcha Helga Corrêa me trouxe de presente um desses livros cada vez mais raros de encontrar em estantes de livrarias baianas: “Os Infiltrados”.

O livro de apenas 126 páginas é uma construção de jornalistas profissionais produzida por Carlos Etchichury, Carlos Wagner, Humberto Trezi e Nilson Mariano. Inspirado na série publicada pelo jornal Zero Hora, de Porto Alegre, no verão de 2010, “Os Infiltrados” pode e deve ser lido neste inverno confuso da política brasileira, em 2011, por vários motivos. Entre eles o prazer despertado pelos bons textos e as surpresas de cada página recheada do melhor jornalismo investigativo. Produto cada vez mais raro na época das operações tipo “prato feito” da Polícia Federal no estilo atirar (ou algemar) primeiro e perguntar depois, dos filmes de caubói americano.

Um exemplo é o capítulo no qual Dilma Rousseff – a presidente do Brasil posta esta semana no terceiro lugar do ranking das 100 mulheres mais poderosas do mundo da revista Forbes – vivia como militante de esquerda na capital gaúcha. Com o subtítulo “eles eram os olhos e ouvidos da ditadura”, o livro tem como ponto de partida “uma foto embolorada” de arquivo de jornal, caída por acaso nas mãos do premiado repórter Carlos Wagner, quando ele produzia reportagem sobre Trabalhadores Sem Terra (MST).

A imagem mostrava homens de chapéu de palha e sandálias de couro curtido acampados em um parque público “como se agricultores fossem, sorvendo mate à sombra de uma árvore”. Na vida real, como dizem os baianos, eram policiais em campana, disfarçados de trabalhadores rurais na linha de frente dos chamados conflitos de terra na virada dos anos 1970 para 80, no Rio Grande do Sul, berço da luta pela reforma agrária.

O resultado decorre do faro jornalístico, instinto investigativo, garra e competência profissional de repórteres especiais que se reuniram para apurar fatos escondidos a sete chaves em arquivos e porões poeirentos. “O cheiro da foto deu impulso à idéia de revelar pela primeira vez a face dos espiões da ditadura militar que assombrou o Brasil”, assinala Ricardo Stefanelli na apresentação do livro que reli ainda mais atentamente e surpreso esta semana de tumultos e dúvidas em Brasília e em vários estados do País, incluindo a Bahia.

Na verdade, o livro desvenda a trajetória do “agente policial infiltrado”, um personagem indispensável à sustentação da ditadura militar de 64 a 85 no Brasil (e de tantos outros regimes repressivos e prepotentes na América Latina no mesmo período, e em outros países do mundo atualmente). “Vinte e cinco anos depois de cumprida a missão secreta, eles rompem o silêncio a que foram obrigados, pela profissão, para contar como se introduziram nos movimentos de resistência ao regime autoritário. Pela primeira vez os espiões revelam como se transformaram em clones daqueles a quem deviam vigiar e sabotar, como estudantes, guerrilheiros, colonos sem terra, políticos, religiosos e sindicalistas”.

“São relatos exclusivos que agora (o livro saiu ano passado) se incorporam à História do Brasil”, destacam os editores gaúchos da obra. Um desses episódios está relatado em “Os Infiltrados” no capítulo intitulado “Olhos treinados vigiavam Dilma e Prestes”. Fala do período em que a volta dos exilado políticos ao País ainda era uma miragem, mas os espiões da ditadura não largavam o calcanhar dos perseguidos políticos, de Montevidéu a Paris.

Uma noite em 1979 na capital francesa, por exemplo, um público, formado por muitos banidos e jornalistas, assistiu a uma palestra. Ao microfone um dos mais famosos perseguidos pela ditadura militar, Luis Carlos Prestes, dirigente máximo do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o primeiro da lista de cassados pelo regime militar de 1964.

O que ninguém sabia é que, dias depois da palestra em Paris, uma foto do evento chegaria às mãos do capitão Sílvio Carriço Ribeiro. Oficial da Brigada Militar, ele não usava farda. Trabalhava em roupas civis, a serviço do Departamento Central de Informações (DCI), o núcleo de operações secretas da Secretária de Segurança Pública do Rio Grande do Sul.

“Como a foto foi parar lá?”, perguntam aos autores no livro.

A resposta é dada em “Os Infiltrados” pelo próprio Ribeiro, hoje com 70 anos e aposentado, que abre o jogo no livro. Ele não tem certeza de quem a enviou. Sabe apenas que desde Paris “alguém avisou a comunidade de informação – como gostam de ser chamados os policiais que atuavam para o regime militar – da reunião de comunistas brasileiros”.

Aponta, também, que a foto pode ter sido obtida em uma das inúmeras vezes em que a polícia política deu batidas e fez buscas no Coojornal, veículo ao qual Prestes deu entrevista exclusiva pouco antes de retornar ao Brasil, depois de 15 anos de exílio. O fato, revela o livro, é que a fotografia está numa pasta guardada com carinho por Ribeiro.

Entre os vigiados da mesma operação estava a atual presidente da República, a terceira mulher mais poderosa do mundo, segundo a revista americana, que na época assinava Dilma Linhares. Ela morava então com o advogado Carlos Araújo, militante brizolista, numa bonita residência da Vila Assunção, à beira do Guaíba. “Ribeiro e uma policial vigiaram o casal, fazendo-se passar por namorados numa praça contígua à casa de Araújo”.

E mais não digo para não bater com a língua nos dentes e quebrar outras surpresas de quem ainda não leu o livro dos jornalistas gaúchos. Só digo e garanto, antes do ponto final: “Os Infiltrados” é leitura mais que recomendada nestes dias da política e do governo no Brasil. E na passagem dos 50 anos da Campanha da Legalidade, liderada por Leonel de Moura Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, que através de uma cadeia nacional de emissora de rádio, a partir de Porto Alegre, comandou a mobilização que empolgou o País. Confira.

 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site-blog Bahia em Pauta ( https://bahiaempauta.com.br/).

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Dallagnol recusa disputar promoção que o afastaria da Lava Jato

Caso desejasse, procurador poderia concorrer a uma das dez vagas em aberto nas Procuradorias Regionais da República — nove em Brasília (DF) e uma em Porto Alegre (RS)

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Bahia.ba – Chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol informou ao Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) não ter interesse em concorrer a uma promoção no momento.

Caso desejasse, Dallagnol poderia concorrer a uma das dez vagas em aberto nas Procuradorias Regionais da República — nove em Brasília (DF) e uma em Porto Alegre (RS).

Em nota, o Ministério Público Federal (MPF) no Paraná afirmou que o coordenador da Lava Jato tomou a decisão por “aspectos pessoais e profissionais”, após conversar com os demais integrantes da força-tarefa.

Uma promoção, e consequente saída da Lava Jato, poderia representar um escape para Dallagnol, cada vez mais pressionado na atual função, desde o vazamento de mensagens do Telegram obtidas pelo site The Intercept Brasil.

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Cai em 5% o número de baleias jubarte encalhadas no estado

Enquanto isso, encalhes aumentaram nas regiões do Rio de Janeiro e São Paulo

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TudoePolitica – Seduzidas pelas águas tropicais, as baleias jubarte fogem do inverno das zonas polares e migram para a costa brasileira todos os anos durante seu período de reprodução.

Nessa época do ano, os animais marinhos fazem da região de Abrolhos, entre o extremo sul da Bahia e o norte do Espírito Santo, o maior berço reprodutivo do Atlântico Sul.

Durante o processo de migração, contudo, muitos desses animais marinhos não conseguem concluir a viagem e acabam encalhando nas praias, inclusive nas situadas na Bahia.

Somente neste ano, conforme informou ao bahia.ba o Instituto Baleia Jubarte, foram registrados 46 encalhes na costa brasileira. Desse total, 16 foram em terras baianas, o que representa 34% do total. Devido à sua extensa costa litorânea, o estado é líder no ranking nacional de encalhes desde 2012.

O total computado neste ano, contudo, é 5% menor ao registrado no ano passado. Também houve redução de oito pontos percentuais no Espírito Santo. Ao mesmo tempo, Rio de Janeiro e São Paulo apresentaram alta de 8% e 7%, respectivamente.

As causas para tais mudanças entre os estados ainda são indefinidas, mas o veterinário chefe do Projeto Baleia Jubarte, Hernani Ramos, aponta algumas hipóteses.

“Muitas questões são um mistério, mas esse é o fascínio do estudo de pesquisa. Uma das possibilidades é a distribuição da população, que não ocorre igual todos os anos. Às vezes as baleias sobem mais, às vezes descem. Mas, com certeza, o número de encalhes tem relação direta com a quantidade de animais disponíveis. Quando a população aumenta, existe um número maior de ocorrências”, explicou.

Reprodução – À reportagem, o especialista também detalhou como ocorre o período de reprodução – que dura entre quatro e cinco meses – das baleias jubarte no primeiro Parque Nacional Marinho do Brasil.

“Elas se alimentam na Antártica e acumulam reservas. Durante o inverno antártico, as águas ficam muito frias, por isso as baleias fogem, vindo para a costa do Brasil para reproduzir em áreas abrigadas, ficando entre julho e novembro. A plataforma do Banco dos Abrolhos é onde elas escolheram como berçário. É aqui que elas acasalam em um ano e parem seus filhos no outro. O maior período de concentração é entre agosto e setembro”, detalhou.

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Supremo prepara sequência de julgamentos decisivos para Moro e a Lava Jato

Ações que debatem o uso de dados de órgãos de controle e a suspeição do ex-juiz podem voltar à pauta da Corte em outubro

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 TudoePolitica – O Supremo Tribunal Federal (STF) prepara para outubro uma série de julgamentos que, em suma, podem tornar sem efeitos decisões do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, e da força-tarefa da Operação Lava Jato, coordenada pelo procurador Deltan Dallagnol. A informação é da Folha de S. Paulo.

O presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, indicou aos colegas estar disposto a levar ao plenário no próximo mês as ações que questionam a constitucionalidade das prisões após condenação em segunda instância, uma das principais bandeiras da Lava Jato, além da discussão que anulou a sentença imposta por Moro a Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil. Ministros avaliam que a provável inclusão dos temas na pauta do plenário sinaliza que, hoje, já haveria maioria a favor das teses contrárias à Lava Jato. ​

Além disso, Toffoli admitiu a possibilidade de antecipar o debate sobre uso de dados detalhados de órgãos de controle, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Receita Federal e Banco Central, sem autorização judicial. Inicialmente, o tema estava previso para voltar à pauta em 21 de novembro.

Também em outubro, Gilmar Mendes pretende retomar o julgamento da alegada suspeição do ex-juiz. Os magistrados vão voltar a discutir um pedido de habeas corpus formulado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que alega falta de imparcialidade de Moro na condução do processo do tríplex de Guarujá (SP). Se a solicitação for aceita, a sentença pode ser anulada e o caso voltaria aos estágios iniciais, o que tiraria Lula da cadeia.

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