Sincretismo religioso e alegria marcam a Festa do Bonfim - Página Simões Filho
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Salvador

Sincretismo religioso e alegria marcam a Festa do Bonfim

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A Lavagem do Senhor do Bonfim, uma das festas populares mais tradicionais da Bahia, reuniu milhares de pessoas da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no bairro Comércio, à Colina Sagrada, onde fica a Igreja do Bonfim, em Salvador, na manhã de ontem quinta-feira (15).

Realizado há 261 anos, o secular ritual de percorrer oito quilômetros a pé teve início às 9h. Vestidos de branco, devotos tomaram banho de água de cheiro, dançaram, cantaram e renderam graças ao Nosso Senhor do Bonfim – Oxalá para as religiões de matriz africana.

No trajeto houve inúmeras manifestações culturais, como rodas de capoeira e o cortejo das baianas. Ao som de cânticos religiosos, pelotões de ciclistas, filhos de Gandhy e missionários completaram o percurso. Já na Colina Sagrada, a festa foi concluída com a lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim pelas tradicionais baianas, que esperam o ano todo pelo dia festivo.

“Faz parte da vida de uma baiana percorrer todo o trajeto e depois realizar a lavagem. Começamos a nos preparar para o ano seguinte quando a festa acaba. Fazemos tudo com carinho para homenagear o Senhor do Bonfim”, explica a baiana Eunice Menezes.

Agradecimento

Do lado de fora da Igreja, os adeptos do Candomblé tomavam banhos de folhas e pipocas. O objetivo era limpar o corpo e a mente da negatividade e também agradecer. “Participo todo ano, mas 2014 foi um ano especial para minha saúde. Consegui vencer três miomas, com a ajuda do meu orixá. Hoje estou aqui para agradecê-lo”, conta a empregada doméstica Elza de Jesus.

O babalorixá do Terreiro de Narandiba, Adson Araújo, afirma que o ritual atrai as pessoas pela eficácia. Segundo ele, é uma limpeza do espírito. “Os banhos são uma renovação do espírito, uma limpeza da alma para que as pessoas se sintam melhor e eliminem os problemas”.

Turismo

Além dos baianos, a Festa do Senhor do Bonfim, que no ano passado se tornou Patrimônio Imaterial Nacional, atraiu turistas de diversas partes do planeta. Alguns vieram pela primeira vez, outros retornaram para pedir bênçãos e fazer agradecimento pelas graças alcançadas. “Conheci a lavagem há cinco anos e, desde então, venho todo ano. Sou católica e acredito no Senhor do Bonfim. Toda vez que participo das celebrações tenho um ano especial“, diz Luciana Costa, que mora em São Paulo.

A presença de muitos turistas nos festejos reforçou a expectativa do secretário estadual do Turismo, Nelson Pelegrino. Segundo o titular da pasta, a Bahia deve receber até o fim do verão cerca de 450 mil visitantes, e a famosa lavagem é um dos principais atrativos no mês de janeiro.

“A Bahia é o quarto destino do país e o primeiro do Nordeste. Sem dúvida, as pessoas vêm ao nosso estado em busca de suas praias, belezas naturais. Mas acredito que a Festa do Bonfim antecipa a vinda dos visitantes. Depois do Carnaval, é a principal festa a céu aberto. Contudo a Bahia ganha um reforço importante no turismo, colhe frutos, inclusive, com a hotelaria, que se torna mais forte com a taxa de ocupação dos hotéis”, afirma Pelegrino.

Marcado pelo sincretismo religioso, unindo fiéis católicos e do candomblé, o evento é o lado profano das homenagens ao padroeiro dos baianos, iniciadas no último dia 8 de janeiro, com o hasteamento da bandeira e a novena preparatória.

Segurança Pública

Para garantir uma festa de paz, o Governo do Estado, por meio da Polícia Militar, montou um esquema especial de segurança nos oito quilômetros do cortejo. Com o efetivo de 1.672 policiais militares, foi possível garantir a ordem na festa. A intensificação do policiamento teve início no último dia 8, com a abertura oficial da programação da Igreja do Bonfim, seguida de novena, e se estende até 18 de janeiro (domingo), quando ocorre a procissão que encerra as comemorações.

A sensação de segurança proporcionada pela presença dos policiais militares fez com que a empregada doméstica Sandra Araújo, 60 anos, reservasse um espaço no calendário para voltar em 2016. “Tem polícia por todos os lados. Estava comentando isso com meu marido, e ele concordou: a gente se sente mais seguro. Espero que seja assim também no próximo ano, quando estarei firme e forte”.

Cregional – Correio Regional